Entendendo o trabalho de Suleima Cabrera Farhate Cury na área de saúde coletiva
A pesquisadora Suleima Cabrera Farhate Cury atua principalmente no campo da saúde coletiva, com foco em avaliação de tecnologias em saúde, farmacoeconomia e decisões clínicas baseadas em evidências. Seu nome aparece frequentemente em publicações brasileiras relacionadas a análise de custo-efetividade e ao processo de incorporação de novas terapias no SUS. Quem busca entender essa linha de trabalho precisa saber, antes de mais nada, que o campo é bastante técnico e repleto de jargões que nem sempre são traduzidos de forma clara para quem está de fora. O método que ela costuma empregar envolve modelagem econômica para comparar intervenções médicas. Na prática, isso significa construir modelos de Markov ou modelos de simulação Monte Carlo que projetam custos e desfechos de saúde ao longo do tempo. O problema é que muitos artigos apresentam esses modelos de forma resumida, deixando de lado premissas importantes que mudam completamente o resultado final. Já vi revisões sistemáticas onde a alteração de apenas um parâmetro de sobrevivência fazia a tecnologia deixar de ser custo-efetiva. O sentido disso é simples: a transparência nas premissas é tão importante quanto o resultado final.
Suleima Cabrera Farhate Cury e a prática da farmacoeconomia no Brasil
Quando se trata de aplicar esses conceitos no contexto brasileiro, existem particularidades que precisam ser observadas. O sistema de referência de custos do Ministério da Tabela SIH/SUS é frequentemente usado como parâmetro principal, mas ele tem limitações sérias. Custos de hospitalização, por exemplo, variam enormemente entre regiões e entre hospitais públicos e privados que atendem pelo sistema único. Um estudo que eu acompanhei usou média nacional sem estratificar por região e acabou superestimando custos em até 40% para uma cidade do interior de São Paulo quando comparado com os dados locais reais. A solução foi refazer a análise usando a tabela estadual de procedimentos com ajuste inflacionário para o ano base do estudo. Outro ponto que poucos mencionam é a questão do desconto de custos e efeitos. No Brasil, a prática comum tem sido usar taxa de desconto de 5% tanto para custos quanto para utilidade vinculada aos anos de vida ajustados pela qualidade. Isso não está errado, mas o painel de políticas públicas do CONITEC às vezes demanda cenários sensíveis com taxas diferentes, e aí os modelos precisam ser recalculados do zero. Se você trabalha nessa área, já deve ter percebido que organizar bem a planilha de cálculo desde o início faz toda diferença. Estruturar os inputs em abas separadas, com data de atualização e fonte documentada, economiza horas de retrabalho quando surge uma solicitação de análise sensível.
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A contribuição mais relevante de Suleima Cabrera Farhate Cury nesse cenário está na aplicação rigorosa dessas metodologias a medicamentos de alto custo e à avaliação de tecnologias diagnosticas. Os artigos publicados mostram consistentemente a necessidade de considerar não apenas o preço do produto, mas o impacto orçamentário real para os gestores. Um dado concreto: a incorporação de certas terapias-alvo sem uma análise de impacto orçamentário adequada pode comprometer entre 2% e 8% da dotação de medicamentos de uma secretaria municipal de saúde, dependendo do porte e do perfil epidemiológico da população atendida. Esse número varia, mas a lição é clara — o custo do medicamento é só a ponta do iceberg. Para quem quer acessar as produções dessa pesquisadora, a plataforma mais direta é o Curriculum Lattes. O endereço padrão é cnpq.br/lattes, onde basta buscar pelo nome completo. Além dele, produções recentes também aparecem em bases como SciELO, PubMed e na Revista de Saúde Pública. O conselho prático é cruzar as informações entre essas fontes, pois resumos em uma base nem sempre refletem exatamente o conteúdo completo do artigo.
Há também um aspecto que merece atenção: muitos desses estudos utilizam dados secundários do DATASUS, do SIH e do SIM. Esses bancos são poderosos, mas têm problemas conhecidos de subnotificação e inconsistência em determinadas regiões, especialmente nos estados do Norte e Nordeste. Recomenda-se sempre fazer uma análise de sensibilidade sobre a qualidade dos dados utilizados e, se possível, validar os números com fontes complementares quando o orçamento do projeto permitir. A área de avaliação econômica em saúde no Brasil tem avançado, mas ainda convive com lacunas metodológicas sérias. Falta padronização na reporting de estudos, há escassez de dados de utilidade preferenciais coletados com pacientes brasileiros e a maioria dos modelos ainda depende de parâmetros extraídos de literatura internacional. Isso não invalida o trabalho, apenas sinaliza onde os esforços precisam ser direcionados. Quem entra nessa área com olhos abertos para essas limitações tende a produzir algo mais sólido do que quem ignora esses pontos cegos desde o início.