Tabela De Perda De Carga Em Tubulações - Tabela de Perda de Carga em Tubulações | PDF
Tabela de Perda de Carga em Tubulações | PDF

Perda de carga em tubulações na prática

O assunto é mais simples do que parece se você já viu uma planilha de dimensionamento sendo feita no campo. A tabela de perda de carga em tubulações nada mais é do que uma referência rápida para não ter que refazer o cálculo de Darcy-Weisbach toda vez que precisa dimensionar um trecho. O problema é que muita gente confunde tabela com resposta final e esquece que ela tem condições de uso.

O que a tabela de perda de carga em tubulações realmente mostra

Cada linha da tabela corresponde a um diâmetro nominal. Cada coluna, geralmente, a uma vazão. O valor interseccionado é a perda de carga distribuída, expressa em metros de coluna de água por cento metros de tubo. Existem tabelas baseadas na equação de Hazen-Williams, que são as mais comuns no Brasil para água fria e quente, e existem tabelas derivadas do diagrama de Moody, que usam o fator de atrito de Darcy-Weisbach e valem para qualquer fluido newtoniano. A diferença entre as duas não é estética. A tabela de Hazen-Williams pressupõe escoamento turbulento em tubos de água a temperaturas próximas de 20 graus Celsius. Se a água estiver a 80 graus ou se o fluido for uma solução glicolada, os valores da tabela começam a sair da faixa de erro aceitável. Eu já vi um projeto de HVAC cair pela metade porque alguém usou tabela de Hazen-Williams para uma linha de água gelada com 40 por cento de propilenoglicol. A perda real era cerca de 70 por cento maior. Ninguém percebeu até o sistema não conseguir entregar a vazão projetada.

Como usar a tabela sem errar

O processo é direto: você escolhe o diâmetro, localiza a vazão mais próxima e lê a perda por cento de metro. Depois aplica a regra de três para o comprimento real do trecho. O que as pessoas costumam pular são os detalhes que fazem diferença. O primeiro detalhe é a rugosidade. A tabela de Hazen-Williams usa um coeficiente C. Para tubo novo de PVC ou CPVC, C fica em torno de 150. Para aço carbono novo, cerca de 130. Para aço já com alguns anos de uso e incidência de incrustação, C pode cair para 100 ou menos. A maioria das tabelas impressas que circulam pela internet assume C igual a 140 ou 150 e não avisa. Se o seu sistema vai operar por mais de cinco anos sem manutenção, o correto é baixar o C e recalculgar. Uma diferença de dez pontos no coeficiente pode mudar a perda de carga em quase trinta por cento em diâmetros pequenos.

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O segundo detalhe é a conversão de diâmetro. A tabela usa o diâmetro nominal, que não é o diâmetro interno real. Um tubo de aço carbono de duas polegadasSchedule 40 tem diâmetro interno de aproximadamente cinquenta e dois milímetros. Um tubo de PVC de duas polegadas pode ter cinquenta e nove milímetros. Usar o diâmetro nominal sem conferir a tabela de dimensões reais do fabricante vai te dar um erro consistente de perda de carga, especialmente em diâmetros menores onde a diferença percentual é maior. O terceiro detalhe é o que fazer quando a sua vazão não está na tabela. As tabelas geralmente pulam de cinquenta em cinquenta ou de cem em cem litros por hora. Você pode interpolar linearmente entre os valores adjacentes. Não é perfeito, mas para a faixa turbulenta o erro é pequeno. Se a diferença entre os dois valores for grande, use a equação de Hazen-Williams diretamente. A interpolação em tabelas de Darcy-Weisbach com números arredondados pode introduzir um erro maior do que o desejado em sistemas sensíveis.

Um caso que eu vivi recentemente

Tinha um projeto de sprinklers onde a tabela indicava perda de carga de dois metros por cento de metro para um trecho de cinquenta metros de tubo de dois polegadas. Isso daria dez metros de perda total. Na medição, a pressão no final do trecho estava seis metros abaixo do esperado. A falha não era da tabela. Era que o traçado tinha nove cotovelos de nove zero graus em cinquenta metros. A perda distribuída era só metade do problema. A perda localizada nos acessórios multiplicava a coisa por quatro. A solução foi simples: calculei a perda distribuída pela tabela mesmo, calculei a perda localizada separadamente usando o método dos coeficientes K, e somei as duas. Para cotovelo de dois polegadas, cada K vale aproximadamente zero, nove. Nove acessórios dão oito vírgula um. Multiplicado pela carga cinemática do trecho, isso gera uma perda adicional significativa. O resultado final ajustou a bomba para a cabeça correta e o sistema funcionou.

Quando a tabela não resolve

Existem cenários em que abrir uma tabela é perda de tempo. Se você tem um fluido não newtoniano, como lama de perfuração ou suspensão espessa, a tabela é inútil. Se o diâmetro é irregular devido a corrosão avançada, a rugosidade equivalente muda ao longo do trecho e o cálculo homogêneo não se sustenta. Se o sistema tem regime transitório frequente, como válvulas que fecham rápido, a perda de carga instantânea é dinâmico e foge completamente da proposta da tabela. O mesmo vale para linhas com ar acumulado. Tubulações que não tiveram ventilação adequada nas points altas vão ter bolsas de ar que reduzem a seção livre e aumentam a perda de forma imprevisível. Nenhuma tabela contempla isso. Necessita de ajuste prático ou de um estudo hidráulico completo.

Dica que poupa retrabalho

Antes de fechar o dimensionamento, verifique o número de Reynolds. A tabela de Hazen-Williams só é válida para regime turbulento completo. Se o Reynolds ficar abaixo de quatro mil, o escoamento pode estar na transição e os valores da tabela não são confiáveis. Em tubulações de pequeno diâmetro com baixas vazões, isso acontece com frequência. O cálculo pelo Darcy-Weisbach com fator de atrito determinado pela equação de Colebrook-White ou pelo approximation de Swamee-Jain é mais seguro nesses casos. A diferença em termos de tempo é pequena: uns dez minutos a mais num cálculo manual, ou um segundo numa planilha. O que funciona na prática é ter dois arquivos abertos. Uma tabela de Hazen-Williams para a maioria dos trechos de água, e uma planilha com a equação completa para os casos que exigem precisão. Gasta um pouco mais de tempo no início, mas evita que o sistema hidráulico seja dimensionado errado e precise ser refezido depois de instalado.