Divisão silábica na prática
A palavra tesoura tem três sílabas: te-sou-ra. A divisão silábica segue a regra padrão do português: cada sílaba precisa ter pelo menos uma vogal, e o ditongo "ou" fica junto na sílaba média. Parece simples, mas é onde a maioria das pessoas erra — ou divide como "tes-o-u-ra", que não existe em hipótese alguma, ou confunde com a pronúncia regional e acha que tem quatro sons.
tesoura tem quantas sílabas: a resposta direta
Três sílabas. Te-sou-ra. O "s" entre vogais não cria hiato, ele simplesmente se vincula à sílaba seguinte como consoante de ataque. O ditongo oral "ou" é um único núcleo vocálico, então não se separa. Isso é o básico do padrão paulistano e do padrão normativo. Se você ouvir alguém falar "te-soo-ra" alongando o "u", isso é variação fonética, não muda a estrutura silábica da palavra em si. No ensino fundamental, essa divisão cai na grade dos anos iniciais e costuma ser cobrada em provas de concursos para professor. O erro mais frequente que eu vejo é o candidato tentar separar o ditongo, achando que "o" e "u" são núcleos distintos. Eles não são. O ditongo é uma unidade fonológica dentro da sílaba. Confundir isso gera divisões absurdas como "tes-ou-ra" com o "s" sobrando, o que também não funciona porque o "s" precisa de uma vogal logo depois para formar a sílaba.
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Eu já vi gente discutir isso em fóruns de gramática e acabar sem consenso porque misturava análise fonêmica com análise silábica. São camadas diferentes. A sílaba é uma unidade de pronúncia, não de letra. O "r" final em "tesoura" pertence à terceira sílaba porque vem após a vogal do ditongo e fecha o núcleo vocálico daquele segmento. Soa estranho no papel quando você desmonta assim, mas na fala natural ninguém separa o "r" do "a" — ele é parte integrante da última sílaba. Há um problema que aparece com frequência e poucas pessoas citam: palavras terminadas em ditongo seguido de consoante, como "peito" ou "devo". Nesses casos, a divisão muda completamente porque o ditongo pode ser crescido ou decrescido, e a presença da consoante final altera a ponta da última sílaba. Com "tesoura", como termina em vogal, não tem essa complicação adicional, mas se você for dividir "testasse" por exemplo, aí sim a coisa fica mais interessante — o "ss" vira duas consoantes idênticas que se separam entre sílabas, produzindo "tes-tas-se". O princípio é o mesmo, só que a transparência diminui.
Outro ponto que vale a pena mencionar é que a regra normativa do Acordo Ortográfico não entra nessas divisões. A sílaba é domíno da fonologia, não da ortografia. Dicionários de pronúncia como o Houaiss ou o Michaelis mostram a separação silábica com hífen, mas cada um pode ter uma pequena variação na interpretação de ditongos seguidos de consoante. Eu gosto de consultar o Ciberdúvidas quando tenho dúvida em palavras mais obscuras, mas para "tesoura" não há polêmica — é três sílabas, ponto. O que eu recomendo de verdade é testar a palavra dizendo-a devagar, batendo palmo a palmo. Fale "té-sóu-rá" bem devagar, percebendo cada golpe de voz. Se você conta três golpes, acertou. Se conta quatro, está dividindo o ditongo errado ou criando uma sílaba fantasma com consoante solta. A técnica do palma é simples, mas funciona melhor do que qualquer regra decorada quando a palavra é qualquer coisa além do óbvio.