O exame clínico que realmente funciona para confirmar bursite subacromial
A bursite subacromial é uma das causas mais comuns de dor lateral no ombro, mas diagnosticar só pela queixa do paciente não é suficiente. O teste para bursite de ombro mais utilizado na prática clínica combina sinais positivos no impingement com respostas específicas à infiltração diagnóstica. Vou explicar como isso funciona no dia a dia, porque muitos colegas cometem o mesmo erro. O primeiro passo é o teste de Neer. Você estabiliza a escápula do paciente com uma mão e faz a antepulsão forçada do braço enquanto ele está em repouso. Se houver dor intensa entre 60 e 120 graus de elevação, isso sugere compressão do saco bursal contra o ligamento coracoacromial. Eu já vi pacientes com teste positivo que na verdade tinham uma lesão do manguito rotador associada, então esse sinal sozinho nunca é decisivo.
O segundo componente é o teste de Hawkins-Kennedy. Com o braço do paciente em 90 graus de flexão, você faz a rotação interna passiva forçada. A dor gerada por esse movimento comprime o saco bursal entre a cabeça umeral e o arco acromial. Na minha experiência, esse teste tem sensibilidade maior que o de Neer isoladamente, mas ainda assim cerca de 30 por cento dos resultados são falsos positivos quando há artrose glenoumeral concomitante.
teste para bursite de ombro com infiltração diagnóstica
O que diferencia um diagnóstico sólido de um achado clínico inespecífico é o teste diagnóstico terapêutico com infiltração. Você administra 5 ml de lidocaína 2 por cento na bolsa subacromial sob orientação ultrassonográfica. Se a dor desaparecer completamente nas vinte e quatro horas seguintes e o paciente recuperar amplitude passiva, o diagnóstico de bursite está praticamente confirmado. Esse é o padrão-ouro na prática clínica real, não apenas nos livros. O detalhe que poucos mencionam: se a dor melhora mas persiste algum grau de limitação funcional, investigue uma lesão parcial do supraespinhoso que pode estar mascarada. Eu tive um paciente que respondeu perfeitamente à infiltração e voltou ao esporte, mas três semanas depois a dor retornou exatamente no mesmo ponto. O ultrassom de acompanhamento mostrou uma laceração fascial de 8 mm no tendão do supraespinhoso que a bursite estava ocultando. O tratamento cirúrgico resolveu, mas o tempo de diagnóstico foi de dois meses a mais do que deveria.
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Outro ponto importante sobre o teste para bursite de ombro: a resposta negativa à infiltração também é informação diagnóstica valiosa. Se após a injeção a dor permanece idêntica, a fonte provavelmente não é o saco bursal. As possibilidades incluem cervicalgia referida, patología da articulação acromioclavicular ou síndrome da facetária superior. Nesse cenário, o próximo passo lógico seria uma bloqueio diagnostic da AC ou uma ressonância magnética da coluna cervical, não repetir a infiltração. A taxa de sucesso da infiltração diagnóstica varia conforme a técnica. Com orientação por ultrassom, a precisão chega a 92 por cento segundo a literatura recente. Sem ultrassom, essa taxa cai para cerca de 70 por cento porque é fácil depositar o anestésico no espaço subdeltoide em vez de dentro da bursa propriamente dita. Isso gera falsos negativos que atrasam o manejo adequado em semanas.
Uma limitação prática que quase ninguém admite: pacientes com dor crônica de longa data, especialmente acima de seis meses, podem ter padrão de sensibilização central. Nesses casos, mesmo uma bursa verdadeiramente inflamada pode não responder à infiltração porque o sistema nervoso já amplifica a nocicepção de forma autônoma. Eu recomendaria nesses cenários focar na avaliação funcional e considerar um ensaio terapêutico com anti-inflamatórios e fisioterapia antes de cair naarmadilha de buscar outra causa. O teste de drop arm não é específico para bursite, mas vale a pena fazer como complemento. Peça para o paciente abduzir o braço até 90 graus e baixar lentamente. Se ele não conseguir e o braço cair abruptamente, isso indica lesão do manguito rotador. A coexistência de bursite e lesão do manguito é frequente, aparecendo em aproximadamente 40 por cento dos casos em pacientes acima de cinquenta anos. Ignorar essa associação leva a tratamentos incompletos e recidivas.
Na prática, o algoritmo que eu sigo é: história clínica direcionada mais testes de impingement mais infiltração diagnóstica. Se tudo isso for positivo, inicia-se tratamento conservador com repouso relativo, AINEs por duas a três semanas e fisioterapia focada em reabilitação escapular. A maioria dos pacientes melhora entre quatro e oito semanas. Se não houver resposta, aí sim parte para avaliação por ressonância magnética e discussão de opções cirúrgicas.