Tipo De Cabelos - Tipos de cabelo: características e como cuidar deles | Tipos de cabelos ...
Tipos de cabelo: características e como cuidar deles | Tipos de cabelos ...

Como identificar e cuidar do seu tipo de cabelo na prática

Muita gente trava na hora de definir o próprio tipo de cabelos. Não porque o sistema seja complicado, mas porque as pessoas tentam classificar o que veem no espelho sem considerar como o fio se comporta ao longo do dia. O resultado é uma rotina de produtos que nunca funciona de verdade. Vou explicar como fazer isso sem enrolação. O sistema mais usado no Brasil é o da escala de 1 a 4, com subdivisões A, B e C em cada categoria. Mas isso só conta metade da história. O verdadeiro perfil capilar depende de três variáveis que se sobrepõem: a textura do fio (onda ou cachequelo), a porosidade (capacidade de absorver e reter umidade) e a densidade (quantidade de fios por centímetro quadrado no couro cabeludo). Tratar apenas a textura é como colocar pneu do tamanho certo num carro com suspensão quebrada.

Descobrindo seu tipo de cabelos correto

Aqui vai o método que eu uso e recomendo. Lave o cabelo com um shampoo neutro, sem condicionador, e deixe secar naturalmente sem nenhum produto aplicado. Quando estiver completamente seco, observe a forma que o fio assumiu. Tipo 1 é liso, sem curva nenhuma. Tipo 2 tem uma onda leve em S, tipo 3 é cacheado em espiral definida, e tipo 4 é crespo com zigues apertados. Anote o resultado. Agora a parte que a maioria pula: teste de porosidade. Pegue um fio solto após a lavagem e coloque num copo com água. Se afundar em menos de dois minutos, seu fio é de alta porosidade — a cutícula está aberta e perde umidade rapidamente. Se flutuar por mais de quatro minutos, é baixa porosidade, o que significa que produtos pesados vão simplesmente ficar em cima do fio sem penetrar. Eu já perdi horas tentando resolver queda e ressecamento em clientes que, na verdade, tinham porosidade fechada e usavam manteigas e óleos grossos que bloqueavam a hidratação.

Eu tive um caso específico há alguns anos com uma cliente tipo 3B que reclamava que o cabelo nunca secava e sempre ficava oleoso na raiz e seco nas pontas. O diagnóstico correto veio quando fiz o teste da mecha: baixa porosidade com camadas de produto acumuladas nos últimos oito meses. Ela usava leave-in, creme de pentear, óleo e selante todos os dias. O fio estava sufocado. A solução foi uma quimioterapia capilar suave de queratina hidrolisada por seis semanas, followed by uma rotina minimalista com gel leve e água. Em três meses, a definição voltou e a oleosidade na raiz diminuiu pela metade.

👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!

Por que a escala padrão falha na prática

O sistema 1 a 4 foi criado para pentear e vender produtos, não para diagnosticar problemas reais. Ele ignora dois fatores que determinam como seu cabelo reage no dia a dia. O primeiro é a elasticidade. Um fio tipo 2 com elasticidade ruim quebra com um coque apertado. Um fio tipo 4 com boa elasticidade pode crescer cinco centímetros a mais no mês se bem tratado. O segundo é a espessura do fio, medida em micrômetros. Fios grossos (acima de 70 micras) seguram produtos diferentes de fios finos (abaixo de 50 micras), mesmo quando têm a mesma ondulação. Isto significa que duas pessoas com tipo 3A podem ter rotinas completamente opostas. Uma com fio grosso e porosidade média precisa de creme mais denso. Outra com fio fino e porosidade alta precisa de hidratação líquida e selagem com óleos vegetais leves. Colocar os dois no mesmo produto é receita para o pior dos dois lados: um fica pesado e oleoso, o outro fica ressecado e sem definição.

Outro ponto que ninguém fala: o tipo de cabelo muda com a idade, clima e hormônios. Meu cabelo era tipo 2C aos 25 anos. Aos 38, com a mudança hormonal, ficou 2B com maior porosidade. Isso não é um defeito no teste, é uma mudança fisiológica real. Se você aplicou uma rotina que funcionava há cinco anos e hoje não funciona mais, o problema não é o produto, é que seu cabelo não é mais o mesmo.

Rotina baseada no perfil real, não no rótulo

Depois de mapear textura, porosidade e espessura, monte a rotina em camadas. Para porosidade baixa, comece com hidratação em gel ou espuma, nunca com cremes pesados. O calor ajuda a abrir levemente a cutícula durante a aplicação. Para porosidade alta, invista em hidratação com hidrolisados de proteína e selantes com óleos mais densos como murumuru ou karité. Para porosidade média, você tem liberdade maior, mas ainda assim evite acumulação de silicone na base do fio. Se você tiver tipo 4 e achar que nunca vai conseguir definição com cremes convencionais, saiba que o segredo não é mais produto, é técnica de secagem. Air dry em cabelo 4 natural quase sempre resulta em frizz e contração excessiva. O método de secagem com capuchão de difusor ou microfibra em camadas, aplicado ainda com o cabelo úmido e com produto de styling de fixação média, faz uma diferença que nenhum shampoo caro consegue replicar. Eu vi resultados que variam de 40 a 60% mais definição com essa mudança isolada.

O principal erro que vejo em consulta é a tentativa de tratar o cabelo como um todo uniforme. A raiz, o meio e as pontas têm idades e exposições diferentes. A raiz é nova, saudável e de baixa porosidade. A ponta tem dois ou mais anos de uso, solventes, calor e abrasão mecânica, sendo naturalmente mais porosa e frágil. Tratar as três regiões com o mesmo produto é desperdício de dinheiro e tempo. Separe a aplicação: hidratação leve na raiz, média no meio, intensiva nas pontas. Isso sozinho resolve metade dos casos de desequilíbrio que chegam na minha mesa. A classificação de tipo de cabelos é uma ferramenta útil só se você usar todas as camadas disponíveis. Textura sozinha é informação insuficiente. Porosidade e espessura completam o quadro. Ajuste conforme sua vida muda. E quando algo não funcionar, desconfie mais da acumulação de produto do que da marca que você está usando.