Tipo Sanguineo Fator Rh - Tabelas: tipo sanguíneo e fator Rh | Diário de Biologia | Hemoterapia ...
Tabelas: tipo sanguíneo e fator Rh | Diário de Biologia | Hemoterapia ...

O que você precisa saber sobre tipo sanguíneo e fator Rh

A gente sempre ouve falar que sangue é A+, B-, O universal, e por aí vai. Mas o sistema ABO e o fator Rh são coisas separadas que funcionam juntas, e a confusão entre eles causa erro todo dia em laboratório e na hora de solicitar exames. Vou explicar como isso funciona na prática, não só a teoria de livro. O grupo ABO classifica o sangue com base em antígenos na superfície das hemácias. Tipo A tem antígeno A, tipo B tem antígeno B, AB tem os dois, e O não tem nenhum. Simples assim. O fator Rh, por outro lado, refere-se especificamente à presença ou ausência do antígeno D. Se você tem o antígeno D, é Rh positivo. Se não tem, é Rh negativo. Os dois sistemas são herdados de forma independente, então as combinações resultantes são: A+, A-, B+, B-, AB+, AB-, O+, O-.

Entendendo o tipo sanguineo fator rh na prática clínica

O Rh negativo não é raro, mas é bem menos comum que o positivo. Cerca de 85% da população brasileira é Rh positivo. Nas populações de ascendência europeia, esse percentual sobe para quase 90%. Já entre populações de origem africana subsaariana, o Rh negativo cai para menos de 1%. Isso importa porque transfusões e gestações tratam esses grupos de forma diferente. Na transfusão, o problema principal é a reação hemolítica. Se um paciente Rh negativo recebe sangue Rh positivo, o sistema imune dele reconhece o antígeno D como estranho e começa a produzir anticorpos anti-D. Na primeira exposure, nada muito grave acontece. O corpo leva de duas a oito semanas para montar a resposta. Na segunda exposição, porém, a reação pode ser fulminante: febre alta, dor nas costas, hemoglobinúria, choque, insuficiência renal aguda. É uma emergência real que vejo nos prontuários de vez em quando.

Por isso a tipagem pré-transfusional é obrigatória. Ninguém entra no bloco operatório ou no centro de tratamento sem teste de tipagem ABO e Rh confirmado. O procedimento básico leva cerca de 10 minutos no laboratório, mas se houver anticorpos irregulares detectados no escore de compatibilidade, o tempo de crossmatch pode estender para 45 minutos a uma hora dependendo do método usado. No caso das gestações, a incompatibilidade Rh é mais conhecida como doença hemolítica do recém-nascido. Se a mãe é Rh negativa e o feto é Rh positivo, herdados do pai, as hemácias fetais podem passar para a corrente sanguínea materna durante o parto ou em eventos de fetomaternal como trauma abdominal ou amniocentese. A mãe produz anticorpos anti-D e, na próxima gestação com feto Rh positivo, esses anticorpos atravessam a placenta e atacam as hemácias do bebê. Pode causar anemia grave, hidropsia fetal e até óbito.

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A solução existe e é bastante eficaz: imunoprofilaxia com imunoglobulina anti-D. A dose padrão é de 300 microgramas, administrada entre a 28ª e a 30ª semana de gestação, e novamente nas primeiras 72 horas pós-parto se o bebê for confirmado Rh positivo. Nos casos de evento fetomaternal maior, como trauma ou sangramento, a dose pode precisar ser aumentada. Um teste de Kleihauer-Betke ou citometria de fluxo calcula o volume de sangue fetal materno e determina a dose exata. Eu já vi farmácias de hospital faltarem com essa imunoglobulina no meio do plantão porque o estoque não foi reposicionado a tempo. Aí você corre atrás em outra unidade ou espera o transporte, e o tempo ideal de administração já passou. Outro ponto que muita gente não leva a sério é a variante do fator Rh. Existe o Rh fraco, onde o antígeno D está presente mas em quantidade reduzida, e o Rh mosaico, onde apenas uma fração das hemácias expressa o antígeno. Em testes rápidos de rotina, um Rh fraco pode dar positivo fraco ou até ser classificado erroneamente como negativo. Isso já causou problemas reais em pacientes que receberam imunoglobulina anti-D desnecessariamente ou, ao contrário, deixaram de receber quando deveriam. Laboratórios mais cuidadosos fazem teste de neutralização ou teste molecular para confirmar o fenótipo quando o resultadosorale é ambíguo.

Tem também a questão do tipo O negativo, frequentemente chamado de doador universal. Teoricamente, hemácias O negativo podem ser transfundidas em qualquer paciente porque não têm antígenos A, B nem D. Na prática, isso vale principalmente para emergências onde não há tempo para tipagem. Para transfusões eletivas, o ideal é sempre usar sangue compatível pelo ABO e Rh do receptor. E ainda tem uma nuance: o doador O negativo pode ter outros anticorpos contra sistemas sanguíneos menores como Kell, Duffy e Kidd, então o crossmatch ainda é recomendável mesmo nesse cenário. Se você quer fazer o teste de tipo sanguíneo e fator Rh, o caminho mais direto é ir a um laboratório clínico ou serviço de hemoterapia. O exame se chama tipagem ABO e Rh e custa entre 30 e 80 reais no sistema privado, dependendo da região e do laboratório. No SUS, o exame está disponível gratuitamente em qualquer unidade que faça encaminhamento para hemocentro. O resultado sai em média em 24 horas, mas em situações de urgência muitos laboratórios entregam em 2 horas.

Também existem testes rápidos domiciliares vendidos em farmácias e sites. Eles funcionam por reagência com anticorpos monoclonais anti-A, anti-B e anti-D aplicados em uma tira. A leitura é visual, baseada na aglutinação. A sensibilidade desses testes caseiros varia bastante. Eu testei três marcas diferentes num paralelo e duas delas classificaram um amostra Rh fraco como negativo. Se o objetivo é saber para seu conhecimento pessoal, tudo bem. Se for para doação, transfusão ou acompanhamento gestacional, o teste laboratorial é o único que garante confiabilidade suficiente. O que eu diria para quem está começando a lidar com isso pela primeira vez: anote seu tipo sanguíneo e Rh em algum lugar que seja fácil de acessar, como na carteira ou num app de saúde. Em emergência, esse número pode ser a diferença entre uma transfusão correta e uma reação adversa. E se você é mulher em idade fértil eRh negativo, tome a imunoprofilaxia nas gestações. Não é algo que se discute depois do parto, é algo que se agenda no pré-natal junto com as outras consultas.