Tipos De Feridas Na Pele - Tipos de Feridas na Pele: Causas, Classificação e Tratamentos
Tipos de Feridas na Pele: Causas, Classificação e Tratamentos

Classificação clínica e manejo prático

O sistema mais utilizado na prática clínica para categorizar tipos de feridas na pele ainda é a classificação baseada no mecanismo de agressão e no estado de cicatrização. Feridas agudas, que incluem cortes, abrasões, lacerações e perfurações, têm bordas bem definidas e o processo de reparo segue as fases previsíveis de hemostasia, inflamação, proliferação e remodelação. Já as feridas crônicas — como úlceras venosas, arteriais, de pressão e pé diabético — apresentam um bloqueio persistente na fase inflamatória, o que compromete significativamente a evolução do tratamento.

Conhecendo os tipos de feridas na pele e suas particularidades

A principal armadilha que vejo iniciantes cometerem é tratar todas as feridas com a mesma abordagem de curativo. Isso simplesmente não funciona. Uma úlcera por pressão estágio 3 com cavidade necessita de preencho tipo alginato ou hidrofibra, enquanto uma abrasão superficial rasa se beneficia mais de um curativo oclusivo hidrocolóide ou filme transparente. O erro mais comum é colocar alginato em uma ferida já seca, o que retira a umidade residual e atrasa a reepitelização. Na prática, eu ajusto o tipo de cobertura conforme a quantidade de exsudato e a presença ou ausência de tecido granular. Uma questão que pouca gente leva a sério é a ferida por infestação de vermes. Já atendi um paciente que chegou com uma lesão em membro inferior inicialmente diagnosticada como celulite de repetição. O edema e a eritema não respondiam a antibióticos. A inspeção detalhada revelou trajetos subcutâneos migratórios — era uma miíase. O manejo foi remoção mecânica dos vermes com pinça e limpeza com solução fisiológica, sem necessidade de tratamento sistêmico naquele caso. O ponto é: não adianta protocolar sem examinar a lesão com calma.

Feridas por pressão exigem classificação precisa pelo sistema NPUAP/EPUAP, que vai do estágio I ao IV, mais feridas não classificáveis e lesão de tecido profundo. No estágio I, a pele está íntegra com eritema que não esbranquia. Muitos profissionais tratam como se já houvesse ulceracao e indicam curativos agressivos desnecessariamente. A intervenção correta nesse estágio é redução de carga pressórica imediata e uso de superfície de repouso apropriada. O stágio II envolve perda parcial da espessura da pele com derme exposta. Aqui, hidrocolecoides e filmes são suficientes na maioria dos casos. Úlceras venosas representam cerca de setenta por cento das feridas crônicas nos membros inferiores. A estratégia básica é compressão graduada, mas existem contraindicações absolutas como o IPC inferior a oitenta milímetros de mercúrio nos tornozelos, que indica doença arterial periférica significativa e exige avaliação vascular antes de qualquer compressão. Jã feridas arteriais respondem mal à compressão e precisam de revascularização quando viável. A confusão entre etiologia venosa e arterial é a causa número um de tratamento falho em ambulatórios de feridas.

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No manejo de feridas diabéticas, a desbridamento autolítico com hidrogéis é frequentemente subutilizado. A maioria dos profissionais parte direto para o desbridamento cirúrgico ou enzimático, o que pode ser desnecessário em lesões estáveis sem sinais de infecção. O hidrogel mantém o ambiente úmido e permite que as enzimas fisiológicas do próprio paciente realizem a limzeia gradual, o que reduz o trauma tecidual e o tempo de procedimento. O resultado costuma ser uma ferida mais limpa em quatro a seis dias sem necessidade de retorno à sala de procedimentos. Um detalhe importante sobre tipos de feridas na pele que foge dos manuais é o comportamento dos bordos. Bordes internosverteridos indicam epitelização comprometida e sugerem necessidade de ajustar a estratégia de umidade. Bordes macerificados sinalizam excesso de exsudato e exigem troca mais frequente do curativo ou mudança para absorventes mais potentes. Bordas endurecidas e espessas geralmente demandam desbridamento para que a reepitelização prossiga.

A infecção local segue critérios clínicos estabelecidos que vão além do aspecto purulento. Eritema crescente, dor aumentada, calor local, edema persistente e mau odor são sinais de carga bacteriana elevada que justifica o uso de agentes antimicrobianos como prata ou iodopovidona. O uso profilático de antisépticos em feridas limpas sem sinais de infecção não tem evidência de benefício e pode ser citotóxico para os fibroblastos, retardando a cicatrização em até trinta por cento do tempo esperado. Para registro e acompanhamento, a fotogrametria com régua padronizada permanece como o método mais confiável disponível na atenção básica. A medição com fita métrica direto na pele varia conforme o posicionamento do examinador e a tensão aplicada. Um estudo comparativo mostrou variação de até dois centímetros quadrados na área calculada entre diferentes profissionais avaliando a mesma ferida. Padronizar a posição do paciente, a distância da foto e o uso de régua na mesma plano da lesão reduz esse erro para menos de cinco por cento.

A nutrição do paciente com ferida crônica é outro fator frequentemente negligenciado. A albumina sérica abaixo de três gramas por decilitro correlaciona-se diretamente com atraso de cicatrização e maior taxa de infecção. Suplementação proteica com vinte e cinco a trinta gramas adicionais por dia, combinada com aporte calórico de mil e quinhentas a mil e duzentas calorias, melhora a resposta inflamatória e a síntese de colágeno em cerca de duas semanas. Sem esse suporte, mesmo o curativo mais adequado terá desempenho limitado.