Entendendo a diferença prática entre venho através deste e venho através desse
A grande maioria das pessoas trava nessa escolha quando precisa justificar uma origem ou um caminho. Não é difícil, mas tem uma lógica que muita gente ignora porque só decorou regra de manual. Na prática, a diferença entre deste e desse depende inteiramente de onde o assunto está sendo tratado em relação a quem fala e a quem ouve. Eu trabalho com redações formais, documentos oficiais e traduções há anos. Já vi gente passar meia hora num e-mail pra decidir isso. A resposta curta é: deste quando o referencial é próximo de quem fala; desse quando o referencial se afasta de quem fala, mesmo que esteja perto de quem ouve. Parece óbvio, mas os erros acontecem justamente porque a frase não deixa claro onde está o ponto de referência.
venho através deste ou desse — quando usar cada um
Vou direto ao ponto. Se você está segurando o objeto, apontando pra algo na sua mesa, ou discutindo um processo que você próprio iniciou, o correto é deste. Exemplo: "Venho através deste relatório apresentar os dados" — o relatório está com quem fala, é material de trabalho imediato. Se o assunto foi mencionado antes na conversa, se pertence ao interlocutor, ou se está sendo discutido de forma mais distante do ponto de vista do falante, usa-se desse. Exemplo: "Venho através desse procedimento que vocês definiram na semana passada" — o procedimento foi criado por outra parte, não por você.
O detalhe que ninguém conta é que o verbo venir já carrega uma noção de movimento em direção ao falante. Isso confunde muita gente. Quando você diz "venho através deste", o "deste" não precisa ser fisicamente próximo — ele precisa estar ligado ao ponto de vista do sujeito que fala. Já "desse" indica que o meio, o instrumento ou a via está mais associado ao outro lado da interação ou a algo que foi citado anteriormente. Eu tive um problema específico com isso num contrato de prestação de serviços. O cliente escreveu "venho através desse contrato solicitar" num documento onde ele era o contratante e o contrato estava sob a esfera dele. Do ponto de vista gramatical, poderia ser tanto um quanto outro. Mas eu sugeri mudar para "desse" porque o documento estava sendo citado como algo já conhecido e vinculado à outra parte da negociação. O revisor jurídico do cliente concordou. A mudança foi pura questão de clareza referencial, não de regra absoluta.
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O erro mais comum que faz pessoas perderem credibilidade
A armadilha real não é escolher entre este e esse. É achar que a distância física resolve a questão. Ela não resolve. A distância deixical — ou seja, o que já foi mencionado no discurso — é o que manda. Veja esse exemplo prático: você está num email respondendo ao cliente. Ele te enviou um formulário. Se você diz "venho através deste formulário", está tratando o formulário como algo seu, incorporado ao seu fluxo de trabalho naquele momento. Se diz "venho através desse formulário", está se referindo ao formulário como algo dele, aquele que ele mandou. Ambas estão gramaticalmente aceitáveis. A diferença é sutil, mas quem lê percebe.
Outro ponto que poucos dominam: o uso de deste com abstratos. Muitas pessoas travam quando o substantivo não é físico. "Venho através deste projeto" — o projeto pode ser abstrato, mas se está sob sua responsabilidade ou foi você que o estruturou, o "deste" é o certo. O mesmo vale para "desse" aplicado a conceitos: "Venho através desse framework que vocês adotaram" — framework citado anteriormente, sob guarda do interlocutor, exige o demonstrativo afastado.
Uma técnica que funciona na hora
Antes de fechar qualquer texto, faça esta substituição rápida. Troque "deste" por "dele" e "desse" por "daquele". Se a frase continua fazendo sentido com "daquele", então o original deveria ser "desse". Se soa melhor com "dele", use "deste". Exemplo: "Venho através deste relatório." "Venho através dele." Soa natural. Portanto, "deste" está correto. "Venho através desse documento." "Venho através daquele documento." Também soa natural. Ambos funcionam, mas o segundo transmite uma distância diferente que pode ser intencional.
Essa técnica não é infalível — há casos em que ambas as substituições soam iguais. Nesses casos, a regra de ouro é: qual parte do diálogo é donativa do elemento em questão? Se quem fala possui ou controla o referencial, vaia de deste. Se o referencial pertence ao interlocutor ou foi mencionado antes no discurso, vaia de desse. Em resumo, o problema nunca foi a gramática em si. Foi a falta de clareza sobre qual é o ponto de referência dentro da frase. Quando você entende isso, a escolha deixa de ser um palpite e passa a ser uma decisão consciente.