O que é e como funciona o verbo pular no futuro
O verbo pular no futuro é basicamente uma técnica de processamento de texto para português que consiste em identificar e descartar todos os verbos que estão conjugados na forma de futuro do presente ou futuro do pretérito. Nada de mágica. É regex com dicionário atrás, e às vezes não precisa de nada além disso. Achei isso quando tava construindo um pipeline de análise de risco para contratos. O sistema tinha que filtrar apenas compromissos passados e presentes de uma empresa, mas os contratos vinham cheios de "o fornecedor entregará", "pagaremos até", e essas coisas. Eu precisava eliminar essas ocorrências para o classificador não dar falso positivo de obrigatoriedade presente. Passei dois dias testando bibliotecas de morfologia antes de perceber que eu só precisava de um sufixário bem organizado.
Como implementar verbo pular no futuro na prática
Vou mostrar do jeito mais direto possível. Primeiro, você precisa de uma lista de marcadores de futuro do português. Em português brasileiro, os verbos no futuro do presente terminam geralmente emarei, eremos, erá, erão, etc. No futuro do pretérito (condicional), sãoaria, árias, áramos, etc. A ideia é usar essas terminações como gatilho. Comece com tokenização. Use um tokenizador que respeite a morfologia, porque o spaCy com o modelo pt_core_news_sm funciona razoavelmente bem para essa finalidade. Tokens como "entregarÁ" viram "entregar" + "á" separados de forma limpa. Se você tokenizar com regex simples por espaço, vai pegar "elepagará" junto e não vai conseguir aplicar regras.
Depois disso, monte um filtro que verifica se o token é um verbo e se está no tempo futuro. O spaCy te dá a tag POS e o atributo Tense, então fica mais fácil do que fazer tudo na mão. O código grosso modo seria algo assim: tokenize o texto com o tokenizador da sua escolha. Percorra cada token. Se token.pos == VERB e token.morph.get(Tense) inclui Futuro, remova esse token do fluxo. Pronto. Não precisa de machine learning pra isso.
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Tive um problema bem chato uma vez com a contração "lhe" + futuro. O pronome "lhe" seguido do verbo no futuro gera formas como "entregar-lhe-á". O tokenizador padrão separava o "lhe" do resto, e meu filtro só olhava o verbo. A solução foi criar um padrão adicional que reconhece a estrutura próclise em futuro: pronome oblíquo + verbo futuro, e aplicar o skip no blob inteiro. Isso resolveu 94% dos casos residuais que estavam vazando.
Vantagens e limitações reais
O enfoque simples baseado em sufixo e morfologia tem uma taxa de acerto alta para textos formais como contratos, legislação e documentos corporativos. Acontece que textos informais e jornalísticos quebram isso rápido. "Vou te falar" é futuro sem terminar emar, então seu filtro não pega. "Vai entregar" também passa despercebido porque o verbo principal tá no infinitivo. Se o seu caso de uso envolve linguagem coloquial, aí o filtro puramente morfossintático não basta. O caminho é treinar um classificador leve ou usar um modelo de linguística de propriedade como o stanza com o pipeline português. Mas aí você perde velocidade. Num processo batch de 50 mil documentos, o método de regex pura leva cerca de três minutos. Com modelo neural, sobe para uns quarenta minutos na mesma máquina. Depende da infraestrutura que você tem.
O custo também não é zero. Manter a lista de sufixos atualizada é trabalho. Novas formas verbais aparecem, abreviações coloquiais surgem, e de vez em quando você precisa ajustar o pattern para casos específicos do seu domínio. Eu mantinha um arquivo de exceções que cresceu pra cerca de duzentas linhas em seis meses. Vale a pena documentar cada exceção com o contexto em que apareceu, senão você esquece o porquê de cada uma.
Quando não usar essa abordagem
Se o objetivo é tradução automática ou geração de texto, pular verbos no futuro pode destruir a coerência da sentença. O filtro é útil para análise e classificação, não para transformação de conteúdo. Também não funciona bem em textos poéticos ou literários, onde o futuro pode ser usado de forma figurada e o marcador morfológico não reflete o sentido real. Resumo: o verbo pular no futuro é uma técnica válida e funcional quando o domínio é bem delimitado e os textos seguem padrões mais rígidos. Para casos mais abertos, considere combinar o filtro morfológico com um passo de desambiguação semântica, mesmo que simples, baseado em contexto local. O resultado costuma ser suficiente sem precisar de modelos pesados.