O passado do verbo sorrir
Tem gente que trava na hora de conjugar sorrir no pretérito perfeito. Parece simples, mas tem armadilha ali. Vou explicar do jeito que funciona na prática, não na gramática de dicionário velha.
como usar o verbo sorrir no passado
O pretérito perfeito de indicativo se forma assim: eu sorri, tu sorrste, ele/ela sorriu, nós sorrimos, vós sorristes, eles/elas sorriram. O imperfeito é mais previsível: eu sorria, tu sorrias, ele/ela sorria, nós sorríamos, vós sorríeis, eles/elas sorriam. O mais-que-perfeito é raro no português brasileiro coloquial — eu sorrera, tu sorreras, ele/ela sorrera, nós sorréramos, vós sorréreis, eles/elas sorreram. Na fala real, quem mora no Brasil praticamente não usa essa forma. Substitui por pretérito mais-que-perfeito composto com tinha + particípio, tipo "eu tinha sorrido". A coisa que mais confunde as pessoas é a primeira pessoa do singular no perfeito. É sori, sem -r no final. Muita gente escreve "sorri" com dois i e acha que tá errado, ou então inventa um "soi" que não existe. A raiz do verbo é sorri-, mas no eu do perfeito cai o r. Fica sori + i = sorri. Não é irregular no sentido clássico como fazem verbos tipo "fazer" ou "dizer". É regular com uma particularidade ortográfica que causa confusão.
👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!
Outro ponto que todo mundo erra: a forma "nós sorrimos". Tem gente que junta com o presente do indicativo, onde "nós sorrimos" também existe. No presente seria "nós sorrimos" com a mesma grafia, mas o contexto resolve. Já o pretérito perfeito tem "nós sorrimos" mesmo. Confusão só aparece se você olhar isolado. No imperfeito, a forma é "nós sorríamos", com acento no i. Achei um problema real uma vez num texto jurídico onde precisava distinguir se a pessoa tinha sorrido no momento exato do fato ou se estava num estado contínuo de sorriso. A diferença entre "ela sorriu" (perfeito, ação pontual) e "ela sorria" (imperfeito, ação durativa) fez toda a diferença na leitura. Usei "sorria" quando o contexto indicava que o sorriso fazia parte de um cenário, não um evento específico. Isso não é trivia. Muda o sentido.
Na língua falada do Brasil, há outro detalhe prático. A forma "tu sorrste" é praticamente extinta na maioria das regiões. Quase ninguém usa tu como pronome de tratamento no cotidiano, exceto em algumas zonas do Sul e em contextos muito formais ou literários. Se você vai escrever ou falar de verdade, o natural é usar "você sorriu" no perfeito e "você sorria" no imperfeito. A conjugação verbal fica na terceira pessoa, então você perde a variação de tu mas não perde informação. Se quiser evitar dor de cabeça com as formas do mais-que-perfeito, esqueça "sorrera" e use "tinha sorrido". Funciona em todos os registros aceitos no Brasil, inclusive na escrita formal contemporânea. O manual da imprensa já aceita essa periphrase há décadas.
Resumo rápido para consulta. Perfeito: sorri, sorrste, sorriu, sorrimos, sorristes, sorriram. Imperfeito: sorria, sorrias, sorria, sorríamos, sorríeis, sorriam.Mais-que-perfeito composto (recomendado): tinha sorrido, tinhas sorrido, tinha sorrido, tínhamos sorrido, tínheis sorrido, tinham sorrido. O particípio é sorrido, não sorido nem soído. Uma última observação: o particípio irregular aparece aqui só em construções compostas. Em frases como "o caso estava julgado", o particípio segue a forma regular. Com sorrir, é sempre sorrido. Não há variação dialetal significativa nesse ponto, então pode confiar nessa forma em qualquer variante do português.