Conjugando o verbo vir no passado
O verbo vir é irregular e gera confusão porque o pretérito perfeito não segue nenhum padrão regular. A forma que todo mundo usa no dia a dia (eu vim, nós viemos) esconde variações que aparecem em textos mais formais e na literatura.
O que é verbo vir no passado
A conjugação no pretérito perfeito do indicativo funciona assim: eu vim – primeira pessoa do singular
tu vieste – segunda pessoa do singular
ele/ela veio – terceira pessoa do singular
nós viemos – primeira pessoa do plural (também ocorre vemos, forma arcaica mas ainda válida)
vós vinestes – segunda pessoa do plural
eles/elas vieram – terceira pessoa do plural
No mais-que-perfeito (pretérito imperfeito do perfeito), que já caiu quase em desuso na fala cotidiana mas aparece em contratos e textos jurídicos: eu viera, tua viesses, ele viera, nós viêmos, vós viestes, eles vieram. Note que viera e viemos aqui têm acento diferencial em relação ao presente.
Já o pretérito imperfeito (vinha, vinhas, vinha, vínhamos, vínheis, vinham) é regular quanto ao radical mas irregular na vogal temática – o i do radical vinh- sempre aparece, mesmo nas formas do plural que poderiam esperar outra coisa.
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Problema prático que eu encontrei
Num trabalho de revisão de textos jurídicos, me deparei com um contrato usando "nós vemos aceder ao acordo". A forma vemos estava grafada com i, o que tecnicamente é aceitável como variante, mas gerava dúvida porque nenhum dos revisores do departamento queria assumir. A solução foi simples: consultei o VOLP (Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa) e verifiquei que ambas as formas são atestadas, embora viemos seja muito mais frequente. Mantive a forma original do contrato, mas adicionei uma nota explicativa no parecer para quem fosse questionar. Outro caso: textos do século XIX frequentemente empregam o pluscuamperfeito composto had come traduzido como tivera vindo. Esse tempo verbal compostopode ser confuso porque muitos falantes nativos nunca o produziram espontaneamente. A recomendação prática é usar tivera vindo apenas em registros formais ou quando a norma culta exigida pelo contexto solicitar. Na escrita informacional comum, o pretérito perfeito simples resolve.
Pegadinhas comuns
A maior armadilha é a confusão entre vir e venir. Não existe verbo venir em português padrão. Venir é espanhol ou francês. Se você escrever "eu veni", "nós venimos", está escrevendo em espanhol, não em português. Isso aparece com frequência em provas e em correções de redação. Outro ponto: a forma v no particípio não existe. O particípio de vir é vindo. Então dizer "eu tinha vido" está errado; o correto é eu tinha vindo.
A concordância também merece atenção. Quando vir funciona como auxiliar em tempos compostos, o particípio permanece invariável (eu tinha vindo, nós tínhamos vindo). Já quando vir é verbo principal, o particípio também é vindo e a concordância segue o sujeito normalmente.
Usos avançados e exceções
O pretérito perfeito de vir pode ter sentido figurado, como em "ele veio a falecer semana passada", onde veio a + infinitivo marca uma realização no passado que teve um processo anterior. Nesse caso, a forma verbal é a mesma, mas a estrutura sintática muda completamente e confundir essa construção com o sentido literal de movimento é um erro comum em redações institucionais. Também vale notar que na segunda pessoa do plural (vós), o uso é praticamente extinto no português brasileiro contemporâneo, exceto em textos religiosos, jurídicos ou regionais do norte e nordeste. Se você estiver escrevendo para um público geral no Brasil, evite vós vinestes a menos que haja uma razão estilística clara para usá-lo.