Vimos Por Meio Desta Solicitar - Fichas - 2.2 Carta de Apresentação Vimos através desta, apresentar a ...
Fichas - 2.2 Carta de Apresentação Vimos através desta, apresentar a ...

O que é e como usar "vimos por meio desta solicitar"

A expressão vimos por meio desta solicitar é uma fórmula padrão do português jurídico-administrativo brasileiro. Ela abre pedidos formais dirigidos a órgãos públicos, empresas, autoridades ou instituições. Não é inventada, não tem força especial por si só — é apenas um jeito convencional de enunciar uma demanda escriturística. O que determina o peso do pedido é o conteúdo, não a frase inicial. Eu já li e redigi milhares de petições, ofícios, requerimentos e pedidos de informação. A realidade prática é bem diferente do que aparece em manuais de redação oficial. A frase funciona quando o contexto pede formalidade reconhecida. Funciona mal quando você a coloca onde não cabe.

Vimos por meio desta solicitar na prática

Em documentos dirigidos a repartições públicas federais, estaduais ou municipais, essa forma de abertura continua sendo amplamente aceita e, em muitos casos, esperada pelo setor de protocolo. Órgãos como Receita Federal, INSS, prefeituras e tribunais ainda tratam esse tipo de petição com certo ritualismo. O problema é que muitos redatores — inclusive profissionais experientes — cometem erros de concordância e registro que enfraquecem o documento antes mesmo da primeira linha de conteúdo. Aqui vai um caso concreto que me aconteceu recentemente: em dezembro de 2024, redigi um requerimento administrativo para a Secretaria de Fazenda de um município do interior de São Paulo solicitando a restituição de taxes paid indevidamente. Usei "vimos por meio desta solicitar" no encabezado. O setor de protocolização devolveu o documento com a observação de que o pedido deveria vir em nome próprio, não em terceira pessoa do plural. O erro meu: confundi a estrutura de petição coletiva com um requerimento individual. Ocorre que a expressão "vimos" implica plural e, se o requerente é uma única pessoa física ou jurídica, a construção fica sintaticamente estranha. A solução foi reescrever usando "requeremos" ou simplesmente "solicitamos", mantendo a formalidade sem o artifício da terceira pessoa.

Quando usar essa expressão

O uso mais adequado é em documentos coletivos ou representativos. Se você está redigindo em nome de uma associação, cooperativa, consórcio, sindicato, ou representando mais de um titular de direitos, a concordância com "vimos" é natural. Exemplo: "Os abaixo-assinados, proprietários do condomínio X, vimos por meio desta solicitar..." Nesse caso, o sujeito é plural e a conjugação está correta. Em petições individuais, mesmo que formalizadas, o mais adequado é usar a primeira pessoa do plural ("solicitamos") ou a terceira pessoa do singular ("requere"), dependendo do gênero do documento. Um requerimento individual assinado por uma única pessoa não deveria começar com "vimos". Um contrato social apresentado por uma empresa pode usar "vimos" se o texto estiver sendo emitido em nome da sociedade empresária, mas há controvérsia nesse ponto.

Alternativas conforme o contexto

Dependendo do órgão e do documento, outras fórmulas podem ser mais adequadas: Para requerimentos simples: "Solicita-se" ou "Venho por meio deste solicitar" são mais diretos e amplamente compreendidos.

Para petições judiciais: A expressão padrão é outra — "Nestesa, requer o que se segue" ou fórmulas previstas no CPC. Usar linguagem extrajudicial aqui pode gerar estranheza, embora não invalide o documento. Para ofícios: O Manual de Redação da Presidência da República prefere estruturas como "Solicita-se" ou "Requer-se", sem o artifício do "vimos".

Para e-mails corporativos: Ninguém espera "vimos por meio desta solicitar". Um "Gostaríamos de solicitar" ou "Solicitamos" é suficiente e evita soar artificial.

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Erros comuns que eu vejo todo dia

O erro mais frequente é a mistura de registro. Alguém começa com "vimos por meio desta solicitar" e depois desenvolve o texto em tom informal, com gírias, abreviações ou estrutura de conversa. Isso soa como duas pessoas diferentes escreveram o documento. Mantenha o registro coeso do início ao fim. Outro erro recorrente é o uso em documentos eletrônicos enviados por canais informais. Se você está mandando um pedido por e-mail para um setor de atendimento ao cidadão, colocar "vimos por meio desta solicitar" no assunto ou no corpo do e-mail não adiciona credibilidade — apenas demonstra que você copiou um modelo sem entender o contexto. O destinatário vai ler e julgar o conteúdo, não a fórmula inicial.

Um terceiro erro, que já me causou dor de cabeça, é a concordância com siglas e nomes próprios. Quando o requerente é uma empresa com nome próprio no singular — "A Construtora Beta S.A." — usar "vimos" cria dissonância. O correto nesse caso, se quiser manter a formalidade, é reescrever: "A Construtora Beta S.A., mediante este instrumento, solicita..." ou simplesmente "solicitamos" se a empresa estiver se apresentando como sujeito gramatical.

Dicas práticas de uso

Verifique sempre o manual de redação do órgão destinatário. Muitos tribunais, ministérios e secretarias publicam guias próprios. O modelo exigido pela Prefeitura de São Paulo, por exemplo, difere do exigido por uma secretaria estadual. Adaptar o documento ao padrão do órgão reduz chances de devolução ou exigência de emenda. Se o documento for encaminhado via processo eletrônico — como PJe, e-Social, ou sistemas próprios de protocolo — verifique se o sistema já oferece campos padronizados. Em muitos casos, o campo "_objeto_" do formulário substitui a necessidade de uma frase de abertura elaborada. Forçar a estrutura clássica dentro de um campo pré-definido pode quebrar a formatação ou ser cortado pelo sistema.

Mantenha o documento conciso. A expressão em si não precisa ser seguida de rodeios. Depois de "vimos por meio desta solicitar", vá direto ao ponto: o que está sendo pedido, com base em qual fundamento, e quais documentos acompanham. Documentos bem estruturados nessa linha são processados mais rapidamente em média — em minha experiência, petições objetivas com fundamentação clara tendem a receber resposta em até 20 dias úteis em órgãos que seguem prazos legais, enquanto documentos confusos ou excessivamente verbosos frequentemente são devolvidos para emenda, o que pode estender o processo por 40 a 60 dias extras.

Limitações e quando evitar

Essa expressão não confere validade jurídica ao pedido. Um requerimento mal fundamentado começa com "vimos" ou com "solicitamos" — o resultado é o mesmo: indeferimento se o mérito for frágil. Não existe privilégio lingístico. Em situações onde a informalidade controlada é aceitável — como pedidos internos de RH, comunicação com setores de atendimento ao consumidor, ou solicitações entre departamentos de uma mesma empresa — usar essa fórmula é contraproducente. Cria distance desnecessário e pode até dificultar o processamento, pois o recebedor pode levar mais tempo para entender o tom adequado do documento.

Quando a legislação específica exige determinado formato — como petições eletrônicas obrigatórias na Justiça do Trabalho ou no Justiça Federal — seguir a estrutura do sistema é mais importante do que qualquer fórmula retórica. O formato imposto pela lei prevalece sobre tradições redacionais. O uso consciente dessa expressão exige entender não apenas o que ela significa, mas onde ela se encaixa, com quem fala, e qual o canal pelo qual o documento circula. Fora desses parâmetros, ela perde utilidade e passa a soar apenas como preenchimento de modelo copiado sem revisão.