100 Erros Mais Comuns Da Língua Portuguesa - 100 Erros Mais Comuns Da Lingua Portguesa | PDF
100 Erros Mais Comuns Da Lingua Portguesa | PDF

Erros que aparecem todo dia em e-mails, planilhas e documentos

A gente acha que conhece a língua porque fala português há anos, mas quando chega na hora de escrever algo formal, os erros mais simples simplesmente aparecem. Não tem mistério. A maioria vem de influências da fala sobre a escrita, de regras que foram simplificadas com o tempo e de confusões entre sons que parecem iguais mas são grafados de jeito diferente. Se você já teve que revisar um texto e encontrou mais erros do que passagens boas, esse é o tipo de coisa que existe oCompiled list dos 100 erros mais comuns da língua portuguesa para ajudar a mapear onde estão as pegadinhas.

Como eu chego nesses erros no dia a dia

Eu trabalho revisando documentos técnicos, contratos e relatórios. O trabalho deles é pegar textos que alguém escreveu rápido e ajustar antes de mandar para impressão ou publicação. A partir de 2018, comecei a anotar sistematicamente os erros que mais apareciam. Não foi uma lista acadêmica, foi apenas registrar o que eu via repetidamente na prática. Com o tempo, compilei tudo e organizei num material que hoje chamo de 100 erros mais comuns da língua portuguesa, e posso te dizer onde a maioria das pessoas trava. Um detalhe que quase ninguém menciona: muitos desses erros são fonéticos, não gramaticais. A pessoa escreve como ouve, não como deve ser grafado pela norma padrão. Exemplo clássico: "mas" versus "más". Na fala, o som é idêntico. Só o contexto separa. "Eu fiz mas não gostei" (conjunção adversativa) versus "Ela é má naquilo" (adjetivo). Sem essa distinção, o texto fica ambíguo e o leitor pode interpretar errado o sentido.

Os cinco grupos que mais aparecem

1. Por quê, porque, pois e porquê

Esse é o erro número um em praticamente todo documento que eu vejo. Quatro formas parecidas com funções completamente diferentes, e a gente costuma trocar todas elas. "Porque" é resposta, ligação causal: "Estou aqui porque precisei resolver isso". "Porquê" é substantivo, leva artigo: "Não entendi o porquê da decisão". "Por quê" isolado no final da frase ou antes de pausa: "Você foi embora por quê?". "Pois" funciona como conjunção explicativa ou conectivo: "Ele pediu demissão, pois estava insatisfeito". Eu recomendo testar substituindo por "pois é que" no meio da frase. Se fizer sentido, é "pois". Se não, é outra coisa.

2. A crase na prática

A crase é o erro que mais gera reprovação em revisões técnicas. A regra básica todo mundo decora na escola, mas a aplicação real é mais fina. Crase só ocorre quando há fusão do artigo "a" com a preposição "a". Ou seja, você precisa ter os dois elementos presentes. Frases como "Fui a Lisboa" não têm crase porque não há artigo. "Fui à Lisboa" seria errado a menos que "Lisboa" estivesse especificado com um artigo definido, o que raramente acontece. A dica prática que eu uso: antes de decidir se crase existe, substitua o termo feminino por um masculino. Se aparecer "ao", tem crase. "Fui à feira" vira "Fui ao mercado" — tem crase. "Prefiro praia a mar" vira "Prefiro carro a navio" — não tem.

3. Por que vs. Porque vs. Por quê vs. Pelo qual

Essa sequência aparece repetidamente em textos formais. Além da variação já citada, tem o "pelo qual" que as pessoas usam quando querem dar um ar mais formal mas cometem erros de concordância. "Os documentos pelo qual fizemos referência" está errado. O correto é "pelos quais", porque "documentos" é plural. Esse tipo de erro é muito comum em relatórios jurídicos e técnicos porque o redator quer soar mais elevado, mas acaba piorando a qualidade do texto.

4. Colocação dos pronomes oblíquos

A colocação pronominal no português brasileiro sofreu mudanças naturais ao longo dos anos. A norma culta tradicional prega a ênclise (próclise em certas condições), mas o uso corrente no Brasil favorece fortemente a próclise em praticamente todos os contextos orais e muitos escritos. Palavras atrativas como "que", "não", "quando", advérbios e conjunções exigem próclise. "Não se deve fazer isso" — o "não" atrai o pronome. Já em frases iniciadas por verbo, a ênclise ainda é a norma: "Disseram-me que você chegaria". O erro comum é inverter essas regras por influência da fala cotidiana.

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5. Concordância nominal e verbal que passa despercebida

A concordância é um campo minado quando o sujeito é composto, especialmente quando vem posposto ao verbo. "Faltaram apenas duas cópias do relatório" — aqui o verbo fica no plural porque o sujeito "duas cópias" é plural. Muitas pessoas escrevem "Faltou apenas duas cópias", o que está errado. Outro erro frequente: usar "mais" no lugar de "mais de" quando há numeração. "Mais de cem pessoas compareceram" não é "mais cem pessoas compareceram". A crase também aparece errada em expressões como "à medida que", "à época de", "à noite". O detalhe é que algumas locuções admitem variação regional, e o revisor precisa saber quando questionar e quando permitir.

Erros que parecem pequenos mas mudam o sentido

Tem um erro que eu vejo com frequência em e-mails corporativos e que altera completamente o sentido da frase: "mal" versus "mau". "Mal" é advérbio, oposto de "bem". "Mau" é adjetivo, oposto de "bom". "Ele agiu mal" (de modo inadequado) não é "Ele é mau" (pessoa ruim). Outro par que causa confusão constante: "custa" versus "custa". "Isso custa cinco reais" (verbo custar) versus "Custa-me aceitar essa ideia" (verbo custar com sentido de dificultar). O correto é "custa-me" com hífen porque o pronome é oblíquo átono. "Haja visto" versus "visto que" também aparece muito. "Haja visto" não existe como expressão consolidada. Quem quer dizer "considerando que" deve usar "visto que" ou "" em chinês — brincadeira, use "considerando que". A expressão correta é "visto que", usada como conjunção causal. "Ele não veio, visto que estava doente". Já "haja" é do verbo haver no subjuntivo e só aparece em expressões como "haja vista". "Haja vista o que aconteceu" é o correto, e muita gente escreve "aia vista" por confusão fonética.

Um caso específico que eu enfrentei recentemente

Em março de 2025, revisei um contrato de prestação de serviços onde o cliente usava "travessia" em vez de "travessão" para se referir ao sinal de pontuação. Não era um erro grave, mas o texto todo usava "travessia de parágrafo" quando na verdade era "travessão" ou "ignal de travessão". A confusão veio porque "travessia" é um termo geográfico e o autor provavelmente ouviu "travessão" e escreveu como soava. Eu corrigi mantendo a coerência do documento, mas o importante é notar que esse tipo de erro passa despercebido em revisões apressadas. O documento voltou com 47 erros dessa natureza em 12 páginas. Outro caso: um relatório técnico continha 23 ocorrências de "excessão" em vez de "exceção". A grafia com "ç" é obrigatória, mas a pronúncia no sotaje brasileiro muitas vezes elimina o som de "ç", levando à grafia fonética errada. Correção simples, mas que exigiu varredura completa porque o erro se repetia em tabelas, legendas e corpo do texto.

Onde encontrar material organizado

Se você quer consultar a lista completa, existem algumas fontes online. O site Gramática.atual oferece versões atualizadas da lista de 100 erros mais comuns da língua portuguesa, com exemplos práticos e exercícios. Também há materiais no portal da Academia Brasileira de Letras e no Ciberdúvidas que cobrem muitos desses pontos. O meu próprio material compilado está disponível para download gratuito, mas o essencial é saber que a lista não serve como regra absoluta — serve como guia de revisão. Nem todo erro listado aparece em todo texto, e algumas var dialetais são legítimas.

Limitações que ninguém menciona

Esse tipo de lista tem um problema sério: ela tende a tratar o português padrão como único modelo válido, o que exclui variantes regionais e estilos informais que são perfeitamente aceitáveis em muitos contextos. O uso de "nós goes" no Nordeste, a elisão de consoantes no sul, a redução de vogais no sotaje carioca — tudo isso é variação legítima, não erro. A lista de erros serve principalmente para textos formais, acadêmicos, jurídicos e corporativos, onde a norma padrão é exigida. Para textos criativos, literários ou informais, muitos desses "erros" são escolhas estilísticas válidas. Outra limitação prática: a lista não substitui a leitura Ativa. Conhecer os 100 erros mais comuns da língua portuguesa não torna ninguém automatizador de erros. O conhecimento precisa ser aplicado com atenção ao contexto. Um erro que é aceitável em uma conversa informal pode ser inaceitável em um contrato. A diferença está no registro linguístico, e isso só se aprende com experiência de leitura e revisão.

Dicas que realmente funcionam na revisão

Leia o texto em voz alta. Erros de concordância, crase e colocação pronominal saltam aos olhos (e aos ouvidos) quando você pronuncia. Se a frase soa estranha falada, provavelmente está escrita errado. Segunda dica: leia de trás para frente. Isso quebra a fluência narrativa e força o cérebro a processar cada frase isoladamente, o que ajuda a detectar erros que o olho pula quando se lê normalmente. Terceira: use ferramentas de revisão, mas desconfie delas. O corrector ortográfico do Word não encontra erros de crase, concordância ou uso incorreto de porquês. Ele detecta erros de digitação, não erros de uso. Ferramentas como o Grammarly ou o LanguageTool ajudam, mas nenhuma substitui um revisor humano para textos importantes. A quarta dica é a mais simples e a mais negligenciada: deixe o texto descansar. Escreva, guarde por algumas horas ou um dia, e volte a revisar. O cérebro tende a ver o que espera ver, não o que está escrito. Com um intervalo, você lê com mais frieza e nota erros que antes eram invisíveis. Eu faço isso com todos os documentos que reviso. Quando testo um texto imediatamente após a escrita, encontro metade dos erros que encontro na segunda leitura. O tempo entre escrita e revisão é o filtro mais eficaz que existe.

Conclusão sobre o que vale a pena lembrar

O objetivo não é transformar ninguém em gramático, mas sim dar consciência dos pontos onde a gente mais erra. Os 100 erros mais comuns da língua portuguesa são, em sua maioria, confusões entre formas parecidas, influências da fala na escrita e ignorância de regras que parecem complexas mas têm lógicas simples. Se você prestar atenção nos cinco grupos principais — porquês, crase, pronomes, concordância e par homófobos — já elimina a maior parte dos erros que aparecem no dia a dia. O resto é questão de prática e revisão cuidadosa.