O básico que quase todo mundo já sabe, mas não usa direito
O verbo correr é regular no sentido de que segue o paradigma padrão dos verbos da terceira conjugação (-er), mas isso não quer dizer que não tenha detalhes que vão te trapalhar na hora de falar ou escrever. Vou direto à tabela, porque é isso que você provavelmente está procurando.
conjugação do verbo correr no passado
Pretérito Perfeito (eu fiz a ação e terminei): Eu corri, tu correste, ele/ela correu, nós corremos, vós correstes, eles/elas correram.
Pretérito Imperfeito (eu fazia a ação habitualmente ou no passado sem marcação de fim): Eu corria, tu corrías, ele/ela corria, nós corríamos, vós corríeis, eles/elas corriam.
Pretérito Mais-Que-Perfeito (a ação já estava concluída antes de outro fato passado): Eu correra, tu correras, ele/ela correra, nós corréramos, vós corréreis, eles/elas correram.
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A conjugação do verbo correr no passado tem essas três formas principais. O pretérito perfeito é o mais cobrado em provas e o que você vai mais usar no dia a dia. O imperfeito aparece quando você precisa dar contexto ou descrever algo que acontecia repetidamente. O mais-que-perfeito é o que causa mais dor de cabeça.
Por que eu ainda vejo errado uso disso acontecendo em 2024
Tive um aluno brasileiro há alguns anos que trabalhava com redações corporativas em inglês e precisava se comunicar com sediadoras em Portugal. Ele escreveu num email: "Ontem eu corria 5 km." A pessoa de Portugal entendeu como se ele estivesse descrevendo um hábito do passado, não um evento pontual. O certo seria "corri". A diferença entre o perfeito e o imperfeito não é só gramática — é uma questão de precisão communicativa. Eu levei duas semanas só para ele internalizar que "ontem" exige perfeito, porque o marcador temporal deixa claro que é um evento único e concluído. Outro problema recorrente: brasileiros costumam confundir "nós corremos" no perfeito com "nós corríamos" no imperfeito, principalmente na fala rápida. A forma escrita ajuda a distinguir, mas na oralidade a terminação "-emos" do perfeito muitas vezes soa igual ao "-íamos" do imperfeito, dependendo do sotaque. Nesse caso, o contexto é tudo. Se não tiver como deixar claro pelo contexto, evite o sujeito "nós" e reformule.
Umapegadinha que ninguém ensina
O pretérito perfeito do indicativo de correr não tem vogal temática muda. Você pode pensar que seria "eu corrio", mas o correto é "eu corri". O "e" que muitos aprendizes inserem é um erro de analodia com verbos regulares da segunda conjugação (-ir). Corre é da terceira (-er), e a desinência do primeiro pessoa do singular no pretérito perfeito é apenas -i. Isso vale para todos os verbos da terceira conjugação: vender/vendi, temer/timei, beber/bebei, correr/corri. A regra é consistente, mas a memória dos verbos irregulares da segunda conjugação (como_partsir/partiu) cria interferência. Outro detalhe: a terceira pessoa do plural do pretérito perfeito é "correram", e não "corram". O "rr" aparece duas vezes porque o radical do verbo é "corr-" e a desinência é "-eram". Errar essa grafia é muito comum, especialmente em ditados e provas de português. Anotar isso numa listinha rápida resolve na hora.
Quandofalta a ferramenta certa
Nenhuma tabela de conjugação resolve sozinha o problema de quem está aprendendo português como língua adicional. A diferença entre perfeito e imperfeito muitas vezes não existe no inglês ou em outras línguas, então a prática orientada é o que faz a diferença. Recomendo que você Grave áudios seus lendo frases nos dois tempos e compare com falantes nativos. O ganho é em semanas, não em dias. Se o objetivo é apenas consultar rapidamente, sites como o Conjugador do Priberam ou o WordReference têm as tabelas atualizadas e cobrem também os modos subjuntivo e imperativo. Para uso acadêmico ou profissional, o livro "Nova Gramática do Português Contemporâneo" de Celso Cunha e Lindley Cintra continua sendo a referência mais completa disponível, embora seja mais denso do que o necessário para consultas rápidas.
O quelembra no final das contas
A conjugação do verbo correr no passado não é difícil de memorizar porque o verbo em si é regular. O problema é que os falantes nativos cometem erros em situações de fala rápida, e os aprendizes tendem a aplicar regras de outras conjugações por analogia. O mais importante é reconhecer que o pretérito perfeito marca ação concluída e o imperfeito marca ação contínua ou habitual no passado, e que o mais-que-perfeito, embora menos usado na fala cotidiana, ainda aparece em textos formais e literários. Dominar esses três tempos resolve a maior parte dos casos práticos.