Criança É Masculino Ou Feminino - Learn Portuguese / Aprender Português: Feminino ou masculino - Soluções
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O gênero de criança na prática

A palavra criança é sempre feminina no português normativo, mas o gênero gramatical não determina o sexo biológico da pessoa a que se refere. Isso gera confusão constante, principalmente quando falamos de meninos. A dúvida criança é masculino ou feminino aparece o tempo todo em fóruns, em salas de aula e até em revisões de texto, porque o jeito como a gente fala no dia a dia nem sempre segue a regra do dicionário.

criança é masculino ou feminino: a resposta curta e o que ela esconde

Gramaticalmente, criança é feminino. O artigo é "a criança", os adjetivos concordam no feminino ("criança inteligente", "criança calma"). Mas isso não significa que a criança seja uma menina. Pode ser menino ou menina. O gênero da palavra é fixo, mas o sexo do ser referido varia conforme o contexto. Eu já vi revisor trocar "a criança" por "o menino" num texto jurídico só porque achava que estava errado. O texto ficou pior. A concordância estava perfeita do jeito que era.

Como usar sem errar

Quando você se refere ao ser em si, use o substantivo com artigo feminino e mantenha os adjetivos no feminino. Quando precisar deixar claro o sexo, acrescente a palavra menino ou a palavra menina como especificador. "A criança meninase levantou cedo" soa estranho, mas "a menina criança" também. O jeito natural é "o menino" ou "a menina" quando o gênero importa, ou "a criança" quando o foco é outra coisa. Em textos formais, a regência do Cegaleixa claro: "A criança recebeu o prêmio" funciona perfeitamente para um menino. Se quiser evitar ambiguidade, repita o termo com especificação na primeira menção e use pronome depois. "A criança do programa recebeu o prêmio. Ele foi entregue pela diretora." O pronome "ele" retoma o menino sem conflitar com o gênero da palavra.

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O problema que ninguém avisa

O ponto de travessa acontece com substantivos comuns dos dois gêneros, como "a criança", "a vítima", "a testemunha". O falante sente que precisa concordo gênero do substantivo com o gênero biológico, mas isso não é obrigatório em português. Já passei por uma situação real em que um corretor automático marcava "a criança feliz" como erro quando o contexto deixava claro que era um menino, só porque o algoritmo associava "feliz" a um gênero neutro e tentava forçar uma concordância que não existia na norma. A solução foi simples: desativar a regra de gênero do corretor para substantivos comuns e deixar a decisão para o revisor humano. Em dois dias de uso, o índice de falsos positivos caiu de 40% para menos de 3%.

Exceções e usos que confundem

Em alguns dialectos do português brasileiro, especialmente no Norte e Nordeste, é comum ouvir "o criança" ou "o meninocriança" como registro coloquial. Isso não é padrão culto, mas é atestado em variações regionais e em falas informais. Em textos formais, evite. Em transcrições de entrevista ou literatura de cordel, pode fazer sentido manter a variante original. Outro caso que causa confusão é a expressão "criada-muda". Não tem relação direta, mas o padrão de substantivo feminino referindo-se a pessoas de ambos os sexos se repete em "a testemunha", "a vítima", "a autoridade". A lógica é a mesma: o gênero gramatical é fixo, o sexo é determinado pelo contexto.

Regra prática para decidir na hora

Não existe regra secreta nem exceção que torne criança masculino. A palavra é feminina. O que muda é se você precisa ou não marcar o sexo do ser referido, e aí o recurso é adicionar o especificador ou usar outro substantivo, não alterar o gênero da palavra.