Mapa Sergipe E Bahia - File:Mapa da Bahia e Sergipe.svg - Wikimedia Commons
File:Mapa da Bahia e Sergipe.svg - Wikimedia Commons

Trabalhando com o mapa sergipe e bahia na prática

A maioria das pessoas que precisa de mapas dessas duas unidades da federação busca o IBGE ou a CPRM, mas o resultado quase nunca é suficiente para trabalho técnico. Sergipe e Bahia compartilham limites que são historicamente confusos, especialmente nos municípios transfronteiriços como Canudos e Nossa Senhora da Glória. O mapa padrão do IBGE mostra a divisão política, mas esquece de atualizar as áreas de influência municipal que mudaram desde 2017. Isso causa erro de posicionamento em GPS de campo quando você entra na região de Curaçá para o lado baiano ou se aproxima de Lagarto do lado sergipano. O formato que funciona melhor é o shapefile no sistema de coordenadas SIRGAS 2000, projetado para UTM fuso 25S para a maior parte de Sergipe e fuso 24S para o extremo oeste da Bahia. O problema é que a maioria dos dados brutos vem sem projeção definida. Se você tentar sobrepor camadas sem projetar primeiro, os municípios ficam deslocados cerca de 2 a 3 quilômetros na divisa entre Porangaba e Valença. Já passei por isso direto, uma vez, perdendo meio dia tentanto casar um mapa de uso do solo com a malha municipal. A solução foi reprojetar tudo manualmente no QGIS usando a mesma datum do SRID 4674, e não aceitar a primeira projeção que o software sugere automaticamente.

Como montar um mapa sergipe e bahia confiável

Comece baixando a malha municipal do IBGE na versão mais recente. Depois, cruze com os dados do Censo 2022 para ajustar divisas que o IBGE ainda trata como antigas. Baixe também a camada de corpos d'água da ANA e a de estradas federais do DNIT. A sobreposição dessas três camadas com a malha política já resolve 80% dos problemas de referência espacial. O restante depende de validar os nomes dos municípios que estão na divisa, porque muitos aparecem com grafias diferentes entre as bases do IBGE e do IBGE versus o sistema do INCRA. Eu costumo usar o QGIS 3.28 com o plugin MMQGIS para fazer a validação topológica das fronteiras. O processo leva de 20 a 40 minutos se os dados estiverem limpos. Se vierem sujos, como quase sempre acontece, leve uma hora. O resultado final é um GeoPackage com todas as camadas consolidadas, pronto para exportar em PDF, PNG ou Shapefile dependendo da necessidade.

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Um detalhe que quase ninguém menciona: a Bahia tem municípios com área superior a 8 mil quilômetros quadrados, como Barreiras e Luís Eduardo Magalhães. Quando você gera um mapa em escala 1:250.000 ou maior, esses municípios ocupam tanto espaço na visualização que distorcem a percepção da densidade populacional de Sergipe, que é o menor estado do Nordeste em área. Não use a mesma escala para ambos se o objetivo for comparação visual. Use escalas separadas ou um recorte manual por estado. Para download direto, o mapa base pode ser obtido no site do IBGE na seção de malhas digitais, ou através do repositório do GeoBio que mantém camadas atualizadas. Existe também a versão consolidada no portal de mapas municipais. Eu recomendo baixar a versão com os códigos dos municípios atualizados para 2024, senão você vai encontrar nomes que já não existem mais, como alguns territórios que foram extintos e incorporados após a última reforma.

O limite disso é que nenhum mapa estático resolve completamente a questão das disputas fundiárias na região do vale do Jequitinhonha e em partes do Agreste sergipano. Mapas mostram o que está no papel, não o que está no terreno. Se o seu trabalho envolve regularização fundiária, consulte também a base do INCRA e os processos judiciais recentes, porque o mapa oficial frequentemente fica atrás da realidade possessória em pelo menos dois a três anos.