Periodo Democratico 1945 A 1964 Resumo - Período democrático brasileiro: 1945 a 1964 - Resumo de História
Período democrático brasileiro: 1945 a 1964 - Resumo de História

O fim do Estado Novo e o retorno às urnas

A Constituição de 1946 herdou muito da de 1934. Getúlio Vargas caiu em outubro de 1945 após no poder, impulsionado por um golpe militar que não encontrou resistência significativa. O general Eurico Gaspar Dutra foi eleito presidente com 60% dos votos, num cenário de forte oposição ao legado getulista mas também ao comunismo, que assustava setores conservadores e a elite agrária. O que muita gente esquece ao fazer um resumo desse período é que a democraticidade nunca foi plena. A esquerda foi perseguida: o PCB teve registro cassado em 1947, e a Lei de Segurança Nacional de 1945, embora menos rígida que a de 1935, ainda servia para calar vozes. O período foi democrático na superfície institucional — eleições diretas, multipartidarismo, Congresso ativo — mas com trancos e atropelos.

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Dutra governou de 1946 a 1951 com política econômica ortodoxa, alinhamento automático com os Estados Unidos na Guerra Fria, e abertura comercial. O crescimento do PIB girou em torno de 6,6% ao ano no início dos anos 50, impulsionado pela indústria de base e pela construção da CSA. Mas a infraestrutura urbana colapsava nas grandes cidades, e o salário real dos trabalhadores caía. Kubitschek (1956-1961) é o nome que todo mundo decora. "50 anos em 5" soa como frase de campanha, e foi. O Plano de Metas priorizou energia, transporte, alimentação, indústria de base e educação. Brasília foi inaugurada em 1960, um feito de engenharia civil impressionante mas com custo social alto. Os chamados "candangos", trabalhadores migrados principalmente do Nordeste, ficaram à margem dos benefícios. O automóvel entrou na cesta básica simbólica — a Volkswagen montou fábrica em São Bernardo do Campo em 1959.

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Goulart assumiu em 1961 num cenário de crise institucional. A renúncia de Jânio Quadros em agosto de 1961 levou a uma sucessão turbulenta. O parlamentarismo foi imposto como solução de compromisso pelos militares, mas em janeiro de 1963 um plebiscito restaurou o presidencialismo. Jango voltou a ter plenos poderes, e aí a coisa começou a bifurcar. As reformas de base — agrária, fiscal, bancária, universitária — eram o núcleo do projeto goulartista. A reforma agrária, em particular, era o ponto que mais assustava o Congresso e os governadores. Em 1963 e 1964, o movimento estudantil e a Liga Camponesa de Francisco Julião alimentaram uma pressão que vinha de baixo. O pronunciamento de Carlos Lacerda em 13 de março de 1964, na Guanabara, marcou o início da ofensiva contra as reformas. Em 31 de março, tropas paulistas marcharam sobre o Rio. Jango foi ao exílio em 2 de abril.

Como isso se encaixa na prática de quem estuda

Quando eu revisava esse período pra prova de seleção — uma banca específica cobrava detalhes que livros didáticos geralmente pulam — me deparei com uma questão sobre a diferença entre o Código Eleitoral de 1965 e as regras vigentes em 1960. O edital pedia comparação entre o sistema partidário de 1945-1964 e o pós-AI-5. A resposta certa exigia saber que, antes da AI-5, existiam partidos como a UDN, o PSD, o PTB, a UB e o PCB, todos legais. Depois de 1968, só dois: ARENA e MDB. Essa mudança estrutural é o que muitos estudantes confundem. Outro ponto cego: o papel dos governadores. Juscelino governou Minas Gerais com autoridade quase absoluta antes de ir a Brasília. João Goulart, quando era vice e substituto, já negociava com barões regionais. A democracia de 1945-1964 teve momentos de institucionalidade forte — o Congresso aprovou a constituição, realizou eleições diretas — mas também fases de governabilidade precária, especialmente entre 1961 e 1964, quando presidentes e Congresso tinham majorias frágeis e a polarização crescia semanalmente.

O que esse período realmente revela

O intervalo de 1945 a 1964 não foi uma transição tranquila rumo à estabilidade. Foi um período de tensões estruturais resolvidas por via militar. A industrialização acelerou, a classe média urbana cresceu, os sindicatos se organizaram, mas a elite agrária e os militares não aceitaram que esses grupos ganhassem peso político de forma permanente. O golpe de 1964 não veio do vazio — foi a culminação de um processo de desgaste institucional que começou muito antes de Jango assumir a presidência de pleno direito. Se você quer um panorama honesto, o periodo democratico 1945 a 1964 resumo é isso: democracia institucional com limitações severas, crescimento econômico com desigualdade crescente, abertura política com censura seletiva, e a sensação constante de que qualquer momento poderia deslizar para a instabilidade. O que aconteceu em 1964 já estava nos trinco das engrenagens desde 1945.