O número de planetas no sistema solar
Depois de 2006, a IAU definiu que o sistema solar tem oito planetas. Plutão foi reclassificado como planeta anão e saiu da lista. Os oito são, em ordem de distância do Sol: Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano e Netuno. Qualquer outra fonte que diga nove está desatualizada ou segue uma convenção pré-2006.
Quanto planeta tem o sistema solar?
A resposta curta é oito. Mas o conceito de "planeta" não é intuitivo e por isso muita gente ainda se perde. A definição da IAU tem três critérios: orbitar o Sol; ter massa suficiente para assumir equilíbrio hidrostático (ou seja, ficar mais ou menos redondo); e ter limpo a vizinhança orbital, eliminando outros corpos de tamanho comparável na sua trajetória. Plutão falha no terceiro critério porque convive com dezenas de objetos similares no cinturão de Kuiper. Eu já vi gente usar contagens erradas em apresentações porque não atualizava o material depois de 2006. O problema não é só o número final, é explicar por que Eleis, Sedna e Ceres também não contam como planetas. Todos os três orbitam o Sol, são redondos, mas nenhum limpou a vizinhança orbital. A diferença prática entre um planeta anão e um planeta pequeno é exatamente essa: escala de dominação gravitacional.
Dentro das regras atuais, os planetas se dividem em dois grupos. Os quatro internos, chamados de terrestres, são densos e rochosos. Os quatro externos, chamados de gigantes, dominam a massa total do sistema solar junto com Júpiter e Saturno. Isso importa porque a arquitetura dos dois grupos responde por coisas observáveis: o cinturão de asteroides entre Marte e Júpiter, a zona conhecida como grandes jovianas, e a dinâmica de migração planetária que afetou a formação das órbitas nos primeiros milhões de anos. Um detalhe que quase ninguém menciona é que o número oito vale para o estado atual. Modelos de formação planetária mostram que as órbitas não foram estáticas. A chamada Grande Tambaleamento, proposta por Morbidelli e colegas em 2005, sugere que Júpiter e Saturno migraram e rearranjamaram os demais gigantes no início do sistema solar. Isso significa que o conceito de "planeta" carrega uma história dinâmica, não só uma lista parada.
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Se você precisa de uma referência rápida, o catálogo do JPL da NASA é a fonte padrão. Ele lista Mer, Ven, Ear, Mar, Jup, Sat, Ura, Nep como os corpos com classificação planetária ativa. Para objetos transitricos e anões, o Minor Planet Center mantém listas separadas, e o número dessas categorias cresce todo ano. Em 2024, já eram mais de sessenta candidatos a planeta anão catalogados, sem contar os milhares de objetos do cinturão de Kuiper e da nuvem de Oort que ainda não foram medidos com precisão suficiente para classificar. Na prática, quando alguém pergunta quanto planeta tem o sistema solar, o que costuma gerar confusão não é a contagem em si, mas o que não entra nela. Lua não é planeta. Sol não é planeta. Cometas, asteroides e meteoroides também não. Pluto conta como planeta anão, Eris também, Haumea, Makemake, Ceres. Se alguém incluir Plutão, o número sobe para nove, mas isso contradiz a definição oficial vigente desde 2006.
Um erro comum é achar que o tamanho absoluto define a classificação. Na verdade, a massa mínima para equilíbrio hidrostático varia conforme a composição. Objetos de gelo podem ficar redondos com menos massa que objetos rochosos. Por isso Cerere, muito menor que a Lua, é considerado planeta anão, enquanto a Lua não é. A regra técnica correta envolve densidade, auto-gravidade e tempo de relaxamento viscoelástico, não só raio. Outro ponto que atrapalha a compreensão é a zona de influência orbital. Um planeta precisa ser o corpo dominante em sua região. Anãs marrons, estrelas falhas e buracos negros isolados não se encaixam porque não orbitam o Sol diretamente. Objetos captivos, como algumas luas irregulares, tampouco. A fronteira entre planeta e satélite depende do centro de massa do sistema, não apenas da proximidade física.
Se você quer revisar os números com dados confiáveis, o site do NSSDCA da NASA tem tabelas atualizadas com massas, raios, períodos orbitais e excentricidades. Para uma leitura mais técnica sobre os critérios de classificação, o documento da IAU Division F é a referência primária. Ele é seco, mas é esse documento que separa o que é planeta do que é outra coisa. Resumindo de forma direta: o sistema solar possui oito planetas segundo a definição vigente. A disputa conceitual continua viva na comunidade científica, especialmente sobre como lidar com corpos na fronteira entre planetas anões e planetas pequenos. Até que a IAU revise os critérios, a resposta padrão permanece oito.