As origens do foguete moderno
A pergunta sobre quem criou o foguete tem uma resposta mais complicada do que muita gente imagina. Foguetes existiam na forma de armas pirotécnicas na China medieval, mas o foguete como veículo espacial é produto de várias décadas e várias mãos. O nome que mais aparece em livros didáticos é Robert Goddard. Em 16 de março de 1926, ele lançou o primeiro foguete a combustível líquido do mundo em Worcester, Massachusetts. Um foguete de 3 metros que ficou no ar 2,5 segundos e caiu num repolhal. Não era impressionante na ocasião. Depois seria considerado o marco zero.
Quem criou o foguete: a resposta que ninguém te conta
O problema de atribuir a invenção a uma só pessoa é que a física dos foguetes já estava sendo discutida anos antes. Konstantin Tsiolkovsky, um professor russo quase surdo que vivia numa vila afastada, publicou em 1903 o artigo "A exploração do espaço cósmico por meios de reatores a jato". Nele ele deduziu a equação do foguete, mostrou que era necessário combustível líquido para viagens espaciais e desenhava estações espaciais modulares. Ele nunca construiu nada disso. Mas todo o cálculo básico começou com ele. Gottfried Kirch também escreveu sobre propelentes líquidos em 1721, mas era algo muito primitivo perto do que Goddard fez. Na Alemanha, Hermann Oberth publicou "Para o Espaço pelos Foguetes" em 1923, dois anos antes do voo de Goddard. Oberth era mais teórico e mais visível publicamente. Ele atraía jovens entusiastas, entre eles um cara chamado Wernher von Braun que acabaria liderando o programa V2. O V2 foi o primeiro foguete balístico operacional e o primeiro objeto fabricado pelo homem a atravessar a fronteira do espaço. Feito com trabalho forçado no campo de concentração de Mittelbau-Dora, o que é algo que raramente se destaca nas celebridades aeroespaciais. Essa parte da história é importante de lembrar.
Goddard obteve 214 patentes ao longo da vida, muitas delas fundamentais para o controle de direção de foguetes. O sistema de giroscópios, as câmaras de combustão em camadas, os injetores de combustível — grande parte da engenharia básica vem dele. O que acontece é que nos Estados Unidos ele levou décadas sendo subestimado. Um editor do New York Times escreveu em 1969, depois da alunissagem, publicando uma lista dos "erros conhecidos de Goddard". Um erro bobo de quem não entendia o que estava lendo. A NASA hoje reconhece Goddard como o pai do foguetismo moderno, mas a trajetória dele foi de pobreza relativa e indiferença institucional. Quem criou o foguete é, na prática, toda uma cadeia de pessoas que não tinham como trabalhar sozinhas. Sergei Korolev, o engenheiro soviético que ficou conhecido postumamente, construiu os foguetes R-7 que lançaram Sputnik e Yuri Gagarin. Ele estava preso no Gulag quando começou suas pesquisas em segredo. Sem ele, o programa espacial soviético não existiria no formato histórico. Mas a contribuição russa também tem seus fantasmas — muitos cientistas foram forçados a trabalhar sob condições brutais sem reconhecimento público.
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No fim das contas, o foguete nasceu de cálculos teóricos, tentativas fracassadas, patentes ignoradas e, de forma indissociável, da política e da guerra do século XX. O V2 foi uma arma. O Saturno V foi uma afirmação de poder. O foguete moderno nunca foi neutro.
Por que a resposta varia conforme a definição
Se você perguntar a um físico, vai ouvir Tsiolkovsky. Se perguntar a um historiador americano, vai ouvir Goddard. Se perguntar a um engenheiro de propulsão europeu, vai ouvir Oberth ou até mesmo a família Congreve, que desenvolveu foguetes militares no início do século XIX. A Índia também tem sua própria linhagem, com Vikram Sarabhai fundando o INSA e depois o ISRO. China, Japão, França — todos tiveram contribuições paralelas que raramente aparecem juntos numa única linha do tempo. O que eu posso dizer com base no que vi estudando isso por anos é que a maioria dos materiais didáticos simplifica demais. Colocam Goddard numa pedestal e esquecem que os soviéticos ganharam todas as primeiras disputas por um motivo simples: eles tinham infraestrutura industrial e mão de obra organizada desde o final da Segunda Guerra. Os americanos estavam começando praticamente do zero, mesmo com as patentes de Goddard à disposição.
Outra coisa que poucos mencionam: a equação do foguete de Tsiolkovsky, Delta-V = Ve * ln(m0/mf), é incrivelmente elegante mas assume condições ideais. Na prática, arrasto atmosférico, gravidade lost durante a ascent e a complexidade de misturas de propelente mudam tudo. Ninguém consegue voar só com a fórmula no papel. Se quiser se aprofundar, a biblioteca do Centro Espacial Goddard tem documentos digitalizados das experiências dele. O arquivo Tsiolkovsky está em Kaluga, Rússia. Oberth tem publicações acessíveis em alemão e francês. É curioso como três homens, em três países diferentes e sem se conhecerem diretamente, chegaram a conclusões quase idênticas sobre o que era necessário para sair da atmosfera.