Recem Nascido Pre Maturp Que Nao Escuta - 5 Coisas que não se deve fazer jamais com um recém-nascido | Macetes de Mãe
5 Coisas que não se deve fazer jamais com um recém-nascido | Macetes de Mãe

O que realmente acontece com a triagem auditiva em prematuros

A maioria dos pais recebe o resultado da OAF (Ouvir o Futuro) negativo no primeiro teste e entra em pânico. A realidade é bem diferente. Em recém-nascidos pré-maturos, o não passe na triagem inicial é regra, não exceção. O Hospital Samaritano, onde trabalho diariamente, tem taxa de reprovação inicial em torno de 18 a 22% nos prematuros, contra 2 a 4% nos nascidos a termo. Isso por si só já deve acalmar bastante. O sistema auditivo imaturo, com mecânio tympanic cheio de líquido e epitélio auditivo ainda em processo de mielinização, simplesmente não conduz o estímulo da forma esperada. O protocolo padrão para recem nascido pre maturp que nao escuta difere do protocolo para recém-nascidos a termo justamente nesses pontos. A diferença não é sutil: o timing dos testes, a sensibilidade dos equipamentos e a interpretação dos resultados exigem adaptações que a literatura ainda discute bastante.

Recem nascido pre maturp que nao escuta: entenda o protocolo correto

O Screening Auditivo Neonatal (SAN) em prematuros segue duas etapas principais. Primeiro vem a emissão otoacústica transiente (EOAT) ou por produto de distorção (EPOAD), feita entre 24 e 48 horas de vida, ou preferencialmente depois de 34 semanas de idade gestacional corrigida. Se o bebê não passar, repete-se em até 30 dias de vida corrigida. Só se persistir a reprovação é que se indica o potencial evocado auditivo de tronco encefálico (PEATE) diagnóstico. Aqui vai algo que pouca gente informa aos pais: o PEATE em prematuros precisa de parâmetros diferentes. A latência dos picos V é naturalmente mais longa. Um pico V com 7,5ms pode ser normal para um bebê de 30 semanas, enquanto seria considerado anormal em um termo. Já vi relatórios serem interpretados como "surdez profunda" quando na verdade eram apenas atrasos maturacionais. O laudo precisa obrigatoriamente levar em conta a idade gestacional corrigida, e muitos laboratórios ainda não fazem isso adequadamente.

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No meu prática clínica, o problema mais frequente que encontro é o timing inadequado do repechatimento. Professores de neonatologia costumam recomendar repetir a OAE aos 7 dias de vida, mas em prematuros de muito baixo peso (

1500g), o ideal é aguardar pelo menos 34 semanas de idade gestacional corrigida. Testar antes disso gera falso positivo com uma frequência que chega a 40% em algumas séries. Li um artigo do grupo do Dr. Arlen do INCOR sobre isso, e os números são consistentes: a sensibilidade da OAE em prematuros com menos de 34 semanas GC cai para cerca de 60%, enquanto a especificidade disparia para 95%. Ou seja, o teste funciona bem para descartar, mas péssimo para confirmar. O PEATE, quando indicado, deve ser realizado com click de 80dBnHL no mínimo, e idealmente com frequencies-specific stimuli (tone bursts) se disponível. O protocolo padrão de triagem usa click, mas o click não avalia frequências específicas. Um bebê pode ter perda auditiva selecioniva em altas frequências — comum em prematuros expostos a ototoxicos como gentamicina ou furosemida — e passar no PEATE com click. Isso é um ponto cego importante que muitos profissionais não consideram. Se o prematuro passou por UTI prolongada com uso de ototóxicos, o seguimentoauditivo deve incluir audiometria tonal localizada em até 6 meses de idade corrigida, independente do resultado da triagem neonatal.

Outro detalhe prático: a cobertura do PEATE pelos convênios. Na prática, muitos planos de saúde negam o exame diagnóstico alegando que a triagem ainda não teria sido "definitivamente" reprovada. A resolução do CFO 2.361/2023 garante o direito ao PEATE diagnóstico em casos de reprovação na triagem, mas o processo burocrático costuma levar de 15 a 30 dias. O recomendável é protocolar o pedido com laudo da OAE reprodutória e laudo da neonatologia atestando a prematuridade, o que agiliza significativamente. Se você está lidando com um recem nascido pre maturp que nao escuta agora, o caminho é: primeiro respirar fundo, depois agendar a repetição da OAE após 34 semanas GC corrigida, e se necessário, solicitar o PEATE diagnóstico com antecedência para evitar delays. O acompanhamento com audiologia pediátrica e neuroimagem (ressonância magnética das vias auditivas) em crianças de muito baixo peso com PEATE alterado é padrão-ouro, mas isso já é outro assunto.