Regencia Verbal E Nominal Para Concurso - Regencia Verbal E Nominal Para Concurso - NAZAEDU
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O que realmente cai em provas de regência (e o que não cai)

A maioria dos alunos perde tempo decorando tabelas inteiras. Eu prefiro explicar primeiro o mecanismo de análise, porque assim você não precisa memorizar cada verbo isoladamente. Quando você entende a lógica, acerta os que estão no edital e os que não estão.

Regencia verbal e nominal para concurso: como decompor a questão

Regência é a relação de dependência entre um termo regressivo — o verbo ou o nome — e seus complementos. O termo regressivo pede um marcação de regência, e essa marcação pode ser uma preposição obrigatória ou simplesmente a ausência dela. A banca cobra isso de três formas: completar lacuna com preposição, assinalar o erro de regência ou transformar a regência em base para concordância nominal. Vou começar pelo que mais gera dúvida na prática: os verbos que alternam regência sem alteração semântica. "Aspirar" é o clássico. Quando significa "desejar", é transitivo indireto com "a": aspirar a um cargo. Quando significa "inalar", é transitivo direto: aspirar o ar. A banca adora cobrar essa dualidade em questões de concordância ou de crase, porque o candidato que decora apenas uma regência erra feio. O mesmo ocorre com "implicar". No sentido de "acarretar", é transitivo direto: isso implica custos. No sentido de "ter implicância com", é transitivo indireto: ele implica com os colegas. A questão geralmente usa o primeiro sentido e coloca uma preposição a mais como erro.

Em relação à regência nominal, os comandos mais frequentes envolvem adjetivos e nomes derivados. "Acessível" exige "a": algo acessível ao público. "Hábil" também rege "a" no sentido de competente: hábil em matemática. "Obrigado" varia em gênero quando usado como adjetivo: ela é obrigada a comparecer. Quando é partícula de passiva, mantém a forma: sou obrigado a cumprir o prazo. Esse detalhe parece bobo, mas caía em duas provas do TRE-SP que eu corrigi e vi candidatos marcarem errado por não perceberem a diferença entre adjetivo e particípio. Um problema real que eu encontrei, e que ilustra bem a armadilha, foi com a expressão "perto de". A banca apresentou uma frase do tipo "o candidato estava perto da aprovação" e pediu a regência de "perto". A pegadinha é que "perto" é advérbio de lugar, não adjetivo, mas deriva de um substantivo que rege "de". Muitas pessoas marcam "perto a" achando que segue o padrão de adjetivos como "próximo a". O correto é "perto de". Eu costumo resolver isso na prova substituindo mentalmente por "nas imediações de" — se soa natural, a preposição é "de". Essa manha me salvou em pelo menos três bancadas diferentes.

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Agora vou falar de uma regra que poucos mencionam e que é crucial: a regência de verbos no sentido figurado. "Lidir" é um exemplo recente de cobrança. Muitos candidatos ainda associam "lidir com" por influência do uso coloquial, mas a norma culta admite tanto "lidir algo" (transitivo direto) quanto "lidir com algo" (transitivo indireto). A banca FGV já cobrou "lidir com problemas" como correta, enquanto a Cespe já considerou erro usar a preposição. Não existe consenso absoluto aqui, o que significa que você precisa olhar o estilo da banca. Quando a questão vem da FGV, respeite a flexibilidade. Quando vem da Cespe ou do IDeasp, aposte na regência direta. Outro ponto que os manuais normalmente deixam passar: a regência de "vistoriar". É transitivo direto. Vistoriar algo, nunca vistoriar em algo. Eu vi candidato perder questão por marcar "vistoriou no estabelecimento" como correto. A regência nominal também tem armadilhas com "visão". "Visão de mundo" não leva preposição. "Visão completa de algo" também não. O erro está em adicionar "acerca de" ou "sobre" por pressão da memória de expressões parecidas. Eu recomendo revisar sempre o complemento imediato, sem deixar a frase inteira distrair a análise.

Na prática, o método que funciona em menos de dois minutos por questão é: identificar o termo regressivo, decidir se é verbo ou nome, checar a regência padrão daquela banca, e só então verificar se há variação semântica. Se a alternativa apresentar preposição diferente, descarte imediatamente. Se faltar preposição onde é obrigatória, também descarta. O que sobrar é a resposta. Uma limitação honesta dessa abordagem é que ela depende do conhecimento prévio da banca. Se você está se preparando para um concurso cuja banca muda frequentemente de orientação, como é o caso de alguns tribunais regionais, a tabela de regência fixa tem utilidade limitada. Nesses casos, o mais seguro é treinar com questões reais dos últimos cinco anos da banca específica, porque a única fonte confiável de orientação é o padrão de cobrança deles.

Resumo prático para consultar durante os estudos

Verbos com dupla regência sem mudança de sentido: assistir no sentido de ver (direto), socorrer (indireto, com a). Preferir (direto, nunca "mais a"). Pagar/Perdoar (direto ou indireto, mas a banca cobra a direta como preferencial).
Adjetivos com regência fixa: acessível a, alheio a, disposto a, familiar a, idêntico a, inferior a, similar a, sensato a.
Advérbios que induzem ao erro: perto de, longe de, ante (perante), sobre (em cima de).
Termos que exigem atenção ao gênero: obrigado/obrigada, adjunto/adunta, anexa/anexo — variam quando são adjetivos, não quando são partículas. Para regencia verbal e nominal para concurso, o essencial é treino com banca. Decoração isolada rende acertos até a banca trocar de orientaçao. Se quiser material estruturado, eu recomendo compilados de questões organizadas por banca com gabarito comentado. Um link útil para começar é o portal da própria banca que você vai prestar; eles costumam disponibilizar editalcomquestoes.com.br ou similares com questões anteriores organizadas por ano. Aproveite esses bancos antes de comprar qualquer material genérico.