Um Professor Lança Uma Esfera Verticalmente Para Cima - ENEM 2023 | Um professor lança uma esfera verticalmente para cima, a ...
ENEM 2023 | Um professor lança uma esfera verticalmente para cima, a ...

Resolução prática de movimento vertical: o que realmente importa

Quando um professor lança uma esfera verticalmente para cima, o que ele está fazendo é um exercício clássico de cinemática, mas na prática existem algumas armadilhas que quase todo mundo erra na primeira vez. O problema pede para encontrar tempo de subida, altura máxima, velocidade em determinado instante e outras grandezas usando a equação do movimento uniformemente variado, com aceleração da gravidade atuando para baixo. A gente costuma chamar isso de lançamento vertical, mas não é nada além do MRUV aplicado a uma dimensão. O que eu vejo todo aluno fazer é assumir logo de cara que a gravidade vale 10 m/s² porque facilitou a conta. Funciona quando a prova permite, mas em problemas reais, quando o enunciado não especifica, o correto é usar 9,8 m/s² e anotar. Eu já perdi ponto em prova por usar 10 sem justificativa, achando que todo mundo fazia isso. Desde aí sempre coloco o valor assumido no rodapé da resolução.

Um professor lança uma esfera verticalmente para cima: passo a passo direto

Eu começo sempre definindo o sistema de referência. Se eu adoto o eixo Y positivo para cima, a aceleração da gravidade fica negativa, ou seja, a = -g. Se adoto positivo para baixo, a aceleração é +g. A escolha muda os sinais, mas o resultado final é o mesmo. Eu prefiro eixo positivo para cima porque é o padrão da maioria dos livros, e isso evita confusão com sinal no final. O primeiro dado que o aluno precisa ter é a velocidade inicial, v. Ela é dada no enunciado ou precisa ser encontrada. Em alguns problemas mais chatos, o professor dá a altura máxima e pede a velocidade inicial. Aí a gente usa a equação de Torricelli: v² = v² - 2g·h, e no ponto mais alto v = 0, então v = (2gh). É simples, mas muita gente esquece de colocar o v final igual a zero nessa conta.

Depois disso, as principais grandezas que pedem são o tempo de subida e a altura máxima. O tempo de subida é dado por t = v/g quando a velocidade final é zero no ponto mais alto. A altura máxima vem de h = v²/(2g). Se quiser, pode usar a equação horária y = vt - (g/2)t² também, substituindo t pelo valor encontrado. Um ponto que gera confusão constante é o tempo total no ar. O tempo de subida é igual ao tempo de descida quando o lançamento e o retorno acontecem no mesmo nível. Isso significa que o tempo total é 2t. Mas se a esfera for lançada de um prédio ou de uma altura inicial diferente do ponto de queda, o tempo de subida e de descida não são mais iguais. Eu vejo alunos aplicando 2t cegamente e errando a questão inteira.

Outra coisa que todo mundo esquece é que velocidade e posição são grandezas vetoriais em essência, e o sinal carrega informação. Quando a esfera está subindo, a velocidade é positiva. No ponto mais alto, a velocidade é zero, mas a aceleração continua sendo g para baixo. Muita gente acha que no topo a aceleração também zera. Não zera. Se a aceleração zerasse, a esfera ficaria suspensa no ar.

O erro que ninguém vê até errar na prática

Achei um problema num livro didático onde o autor colocava a esfera sendo lançada para cima a partir de um edifício de 20 metros de altura, com velocidade inicial de 15 m/s, e pedia o instante em que ela passava pelo ponto de lançamento na trajetória de descida. A resposta esperada era um tempo de cerca de 3 segundos. O problema é que vários alunos apenas aplicavam a fórmula de simetria e dividiam o tempo de subida por dois de forma equivocada. Eu resolvi colocando a origem no solo e definindo y = 20 m. Usei y = y + vt - (g/2)t² e igual a zero quando a esfera passava pela altura de lançamento em descida. Achei duas soluções para a equação do segundo grau: uma era o instante do lançamento e a outra era o instante desejado. Resolvendo com o cálculo do discriminante, cheguei a t 3,06 s com g = 9,8 m/s². Usando g = 10, dava 3,0 s. A diferença era pequena, mas em questões de múltipla escolha com opções próximas, isso muda a resposta.

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O que eu fiz depois disso foi treinar a verificação dimensional e de sinais. Sempre conferia se o tempo era positivo, se a altura fazia sentido físico e se o resultado estava na ordem de grandeza esperada. Nada substitui esse hábito no final da conta. Eu ainda faço isso hoje, mesmo resolvendo questões mentais no ônibus.

Questões avançadas e o que o vestibular costuma cobrar

Algumas bancas gostam de juntar lançamento vertical com outros conceitos. Já vi questão que misturava lançamento vertical com gráfico v × t, pedindo a área sob a curva para achar o deslocamento. A área entre o gráfico e o eixo do tempo representa o deslocamento. Acima do eixo, deslocamento positivo. Abaixo, negativo. O sinal da área já indica o sentido do movimento. Outro formato comum é pedir o gráfico y × t. A trajetória é uma parábola com concavidade para baixo quando o eixo Y está positivo para cima. O vértice da parábola corresponde ao ponto de velocidade zero e altura máxima. Se o aluno saber ler o gráfico, muitas vezes resolve a questão sem fazer a conta inteira. Eu prefiro fazer a conta mesmo assim, porque o gráfico às vezes vem distorcido ou com escala enganosa.

Tem também a variação com resistência do ar. Nesse caso, a aceleração não é mais constante e não dá para usar as equações do MRUV. Aí a coisa fica séria e entra integração. Eu jamais cobraria isso em uma prova básica de ensino médio, e quem cobra assim provavelmente está testando outra habilidade. Se o enunciado não mencionar resistência do ar, não suponha que ela existe. O problema fica muito mais complexo do que precisa ser.

Dica prática que economiza tempo

Eu costumo montar uma tabela de dados antes de começar a escrever a resolução. Coluno v, g, y, e o que está sendo pedido. Depois escrevo as equações que vou usar e só então faço os cálculos. Isso evita que eu esqueça algum dado ou use um sinal errado. Leva uns dez segundos a mais e já evita meia página de correção no caderno. Se o problema pede três grandezas diferentes, faço uma tabela por grandeza também. A conta em si é rápida. Do dado ao resultado final, um problema bem típico leva cerca de dois a três minutos se você já domina as fórmulas. O tempo extra é quando você começa a duvidar do sinal ou relê o enunciado porque percebe que errou a interpretação. Quanto mais treino, menos relituras eu faço.

Se você quer praticar, os livros do Nilson José Machado e do Ramalho têm uma boa quantidade de exercícios com gabarito. A coleção Fundamentos de Física do Halliday também é sólida, mas os exercícios lá são mais densos. Para algo mais direto ao ponto, os materiais do professor Renato Brito no vídeoaula cobrem bem o básico com exemplos claros. Não é propagado, só estou indicando porque funciona na prática. O que fica como aviso é sobre não decorar fórmulas sem entender o sinal. A física desse tópico é toda questão de convenção de sinais. Quando você decide que para cima é positivo, tudo que aponta para baixo tem sinal negativo. Gravidade negativa. Deslocamento para baixo, negativo. Velocidade para baixo, negativa. Se misturar as convenções no meio do caminho, o resultado vai contradizer a realidade e você vai gastar tempo procurando erro que não existe.

Resumo: defina o referencial, escreva os dados, escolha a equação certa, resolva e verifique se o resultado faz sentido. O resto é treino.